‘É definitivamente uma armação’, diz agência de espionagem britânica sobre caso de Julian Assange

Com base em uma lei britânica que permite a indivíduos pedir aos órgãos públicos informações pessoais, Julian Assange teve acesso a mensagens de funcionários da GCHQ, a agência de espionagem britânica, afirmando que as acusações por parte da Suécia a Assange eram parte de uma armação.

Os funcionários ainda o chamam de “tolo” por acreditar que os suecos desistiriam da acusação. A GCHQ se pronunciou dizendo que as mensagens não refletem as políticas ou pontos de vista oficiais.

A matéria abaixo é uma tradução livre do jornal ‘The Guardian’, na matéria ‘Julian Assange reveals GCHQ messages discussing Swedish extradition’ de 20 de maio.

Foto: Philip Toscano/PA via The Guardian

Foto: Philip Toscano/PA via The Guardian

Autoridades da agência de espionagem do governo britânico, a GCHQ, estão enfrentando revelações embaraçosas sobre correspondência interna em que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, estaria sendo discutido, aparentemente incluindo especulações de que ele está sendo falsamente acusado pelas autoridades suecas que buscam sua extradição após alegações de estupro.

Os registros foram revelados pelo próprio Assange em uma entrevista na noite de domingo (19) no programa da televisão espanhola ‘Salvados’ no qual ele explicou que um pedido oficial de informações lhe deu acesso a mensagens instantâneas que permaneceram não classificados pelo GCHQ.

Uma mensagem de setembro de 2012, lida por Assange, aparentemente diz: “Eles estão tentando prendê-lo por suspeita de XYZ… É definitivamente uma armação… Os tempos são também bem convenientes após o Cablegate”.

Em inglês: “They are trying to arrest him on suspicion of XYZ … It is definitely a fit-up… Their timings are too convenient right after Cablegate”.

As mensagens parecem conter especulação e conversas entre funcionários do GCHQ, mas Assange deu poucos detalhes posteriores.

O fundador do WikiLeaks, que passou os últimos 11 meses na embaixada equatoriana em Londres para evitar a prisão e extradição para a Suécia, afirmou que a GCHQ não tinha conhecimento de que poderia ter açgo sobre ele que não estaria classificado como secreto.

“Não será entregue nenhuma informação classificada”, disse ele. “Mas, para grande surpresa, ele tem alguma informação não classificada sobre nós.”

“Acabamos de receber isso. Ainda não é público”, acrescentou.

A segunda conversa de mensagem instantânea a partir de agosto do ano passado entre duas pessoas desconhecidas chamava Assange de “tolo” por pensar que a Suécia desistiria de sua tentativa de extraditá-lo.

A conversa, como lida por Assange, diz: “Ele acha que vai ficar na embaixada do Equador por seis a 12 meses, quando as acusações contra ele serão descartadas, mas não é realmente como acontece agora, não? Ele é um tolo… ‘Yeah’… Um tolo altamente otimista.”

“Isto é o que os espiões estão discutindo entre si”, disse Assange ao apresentador de televisão espanhol, Jordi Évole.

A agência de espionagem britânica com sede em Cheltenham disse: “Nós podemos confirmar que a GCHQ respondeu formalmente ao sujeito que fez o pedido. O material divulgado inclui comentários pessoais entre alguns membros da equipe e não refletem as políticas ou os pontos de vista do GCHQ de nenhuma forma.

A GCHQ está isenta da Lei de Liberdade de Informação. No entanto, entende-se que o pedido de Assange se deu por meio de um mecanismo no âmbito da Lei de Proteção de Dados, que pode ser utilizada por indivíduos para obter informações pessoais que os órgãos mantenham sobre eles.

Em seu site, a agência diz: “Como uma das agências de segurança e de inteligência do Reino Unido, nós coletamos e analisamos os sinais digitais e eletrônicos de muitos canais, de todos os cantos do mundo”.

“Convertendo esta informação em material de inteligência, nós desempenhamos um papel importante em informar a segurança nacional, as operações militares, a atividade policial e a política externa.”

Original do ‘The Guardian’ em http://bit.ly/12JeEg6