Vamos falar diretamente sobre ontem no Maracanã:

01. Eu estava lá bem pertinho, mais perto impossível, e vi duas pessoas jogando uma garrafa de água e uma latinha de coca-cola nos policiais.

02. Este “terrível” ato de “terrorismo” gerou a reação da polícia: bombas, balas de borracha, dois disparos com arma letal na praça Varnhagen e perseguição a todo e qualquer manifestante. A polícia errou e errou feio. Tem vândalo? Identifica, prende, processa, condena.

03. Pouquíssimos manifestantes estavam “equipados” com coquetel molotov. São irresponsáveis e não possuem nenhum compromisso com as transformações sociais em curso.

04. Ninguém está dizendo que a polícia tem que apanhar calada ou deixar o patrimônio público ou privado ser destruído. Sempre que há um diálogo nas ruas entre PM e manifestantes, isso é consenso. Mas o abuso policial é inaceitável, pois eles estão armados contra a população que está 99% dentro do seu direito garantido por lei e cumprindo seus deveres constitucionais.

05. Muitos manifestantes conversaram com um comandante — cada um dos comandantes tinha responsabilidade sob 50 homens — próximo à Varnhagen que deu o tom do que temos que mudar: “Senhores, eu sou responsável por estes 50 homens; se houver denúncias de outros policiais, não posso me responsabilizar, mas levarei as denúncias e ofereço meu celular para acompanhar a denúncia. Senhores, não vejo os senhores como o Outro. Somos todos trabalhadores.”

06. Comandantes assim são minoria. Mas há esperança. E sem os trabalhadores das forças de segurança, sem essa parceria estratégica, não rola.

(Fotos aqui)