Uma jornada diferente

VAcabo de regressar de ver a manifestação de protesto em João Pessoa, neste 20 de junho de 2013. Não posso negar que me emocionei ao ver tanta juventude, tanta inteligência, tanta criatividade nos dizeres.

A gente volta de alma lavada de um acontecimento como este. Muitas vezes tinha me perguntado, como creio que muitos da minha geração, o que a juventude atual pensa, como sentem, se são indiferentes ou apáticos, alienados ou não.

Os cartazes que vi, os rostos que vi, as expressões que pude ver esta noite, me deram uma nova alegria. Impossível não lembrar dos tempos em que éramos nós a manifestar a nossa indignação pelas ruas.

Outros contextos, outros tempos. A mesma pureza, no entanto, a mesma inocência, a mesma fé, a mesma utopia, o “eu posso” coletivo, forte, digno.

Basta de mentira, basta de corrupção, basta de privilégios para as castas governantes. Menos copa e mais saúde, menos futebol e mais educação.

Como diz o poeta Affonso Romano de Sant´Anna: o aumentativo de povo pode ser revolução. Aliás, a bela palavra estava em muitos dos cartazes que as jovens e os jovens levavam pela rua.

É a hora do cair das máscaras. Hora da verdade, hora da justiça, hora da dignidade. Bendita juventude, bendita coragem. Bendita a hora em que o povo toma as ruas.

E nada das velhas consignas dos velhos partidos políticos podres, aliados do poder e da exploração. Começa um novo tempo. É bom estar aqui no Brasil nesta hora.

A gente respira melhor, muito melhor. Desculpe os transtornos, estamos mudando o Brasil, dizia um dos cartazes carregados por um/a manifestante.

Rolando, meu irmão. Hoje, às 4:30 da manhã a ansiedade, para saber o que se passara esta noite nas manifestações que contaminam o Brasil, foi maior do que o sono. O primeiro comentário que li foi o seu. Em se tratando de uma pessoa equilibrada, as notícias deram-me a certeza de que nós, estamos no caminho certo. Quando a indignação não cabe dentro dos recintos e se espalha para a rua, eu comparo a um pneu cuja embalagem já não cabe mais o ar. Esses movimentos espontâneos,a maioria das vezes saem vitoriosos. Gostei muito de seu artigo-reportagem. Um grande abraço, João Fragoso.

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