Tropas atacam covardemente manifestantes no Cairo [vídeo]

Manifestantes lotavam as ruas laterais para escapar das tropas de choque, que agarravam pessoas e continuavam batendo mesmo quando elas já estavam caídas no chão, segundo um jornalista da Reuters. Tiros eram disparados ao ar.


(Acesse o vídeo acima aqui)

CAIRO, 17 Dez (Reuters) – Soldados atacavam manifestantes com cassetetes na praça Tahir, no Cairo, neste sábado, um dia após conflitos que mataram oito pessoas e feriram mais de 300, maculando as primeiras eleições livres de que a maioria dos egípcios consegue se lembrar.

A violência destaca as tensões no Egito dez meses depois da derrocada do presidente do Hosni Mubarak por uma revolta popular.

Os generais do Exército que substuíram o líder deposto irritam alguns egípcios por parecerem relutantes a entregar o poder. Outros apóiam os militares como um mal necessário até que seja realizada a difícil transição à democracia.

Manifestantes lotavam as ruas laterais para escapar das tropas de choque, que agarravam pessoas e continuavam batendo mesmo quando elas já estavam caídas no chão, segundo um jornalista da Reuters. Tiros eram disparados ao ar.

Os soldados desmontaram as barracas dos manifestantes e atearam fogo nelas, como mostraram filmagens de uma rede de TV local. Em imagens da Reuters, outro soldado pega uma pistola e atira em manifestantes que recuavam. Não ficou claro se a arma continua munição real.

O ataque do Exército aconteceu após conflitos entre manifestantes e tropas. Algumas pessoas jogaram pedras perto de carros de bombeiros que tentavam apagar o fogo de um prédio.

Quarenta e duas pessoas já tinham morrido em conflitos na semana antes de 28 de novembro, dia que marcou o início de eleições parlamentares que estão dando poder a partidos islâmicos reprimidos durante os 30 anos da era Mubarak, quando as votações eram fraudadas.

A votação no segundo turno do processo eleitoral aconteceu pacificamente na quarta e na quinta-feira.

“ATAQUE À REVOLUÇÃO”

O primeiro-ministro nomeado pelo Exército Kamal al-Ganzouri, culpou os manifestantes pela violência, acusando-os de atacar prédios do governo e do Parlamento e obrigando as forças de segurança a defendê-los.

“Eu me dirijo a todas as forças e grupos políticos para dizer que o Egito está em suas mãos. O que está acontecendo nas ruas hoje não é uma revolução, mas um ataque à revolução”, disse ele.

“Eu ainda digo que nós não confrontaremos nenhum protesto pacífico com qualquer tipo de violência, até mesmo com palavras”, disse o premiê à TV estatal. Ele repetiu a declaração do Exército de que nenhuma munição real fora usada.

Ganzouri, de 78 anos, disse que oito pessoas foram mortas e que 125 dos 303 feridoos estavam no hospital. Trinta guardas do Parlamento ficaram feridos e 18 pessoas foram feridas por balas.

A crítica dos manifestantes se concentra no marechal Mohamed Hussein Tantawi, diretor do conselho militar, que foi ministro de Defesa de Mubarak.

(Por Yasmine Saleh/Reuters)