Terapia Comunitária Integrativa: refazer a vida

Por Doralice Oliveira Gomes*

Nasci numa família de candangos. Candangos são as pessoas que vieram para Brasília, na construção da cidade. Meu pai, Cassimiro da Silva Oliveira,  mudou-se da zona rural de Casa Nova (sertão da Bahia) em 1958, para trabalhar como auxiliar de pedreiro e minha mãe, Maria das Dores da Silva (D. Dôra), veio alguns anos depois e, desde então, cuida da família lindamente. Estabeleceram-se numa cidade satélite, periferia de Brasília, distante 35 km da cidade capital federal.

Fui convidada pelo amigo Euler Rodrigues a contar um pouco da minha trajetória, em especial na Terapia Comunitária Integrativa, “lugar” em que encontrei ressonância com minha história de vida e da minha família. Família de parteiras, raizeiros, benzedores, agricultores familiares, religiosidade popular. Na Terapia Comunitária Integrativa todos os saberes têm valor, espaço, significado; tanto os saberes advindos da academia como os saberes frutos da história de vida… E nesse espaço em que os saberes não são hierarquizados eu escolhi meu lugar de Ser e Estar como psicóloga de atuação comunitária, como cidadã, como EU.

Reconheço-me uma sonhadora, idealista, e acredito que há espaço para pessoas como eu no mundo. Já senti vergonha disso, mas minha essência inquieta e inquietante, curiosa e aventureira, tem nutrido-se no fazer e nos muitos apoios e encorajamentos que recebo nos encontros na vida.

A conversa com Euler Rodrigues, em 01 de julho de 2020, constitui-se num marco para mim. Momento de síntese na minha trajetória como terapeuta comunitária até o momento. Como diz a música Encontros e Despedidas de Milton Nascimento: “São só dois lados da mesma viagem. O trem que chega é o mesmo trem da partida…A plataforma dessa estação é a vida”.  E a mente curiosa e sapeca a dizer-me: desfrute a viagem da vida!

Assista à entrevista:

*Psicóloga e mestre em saúde da família