Revolução com renovação

Protestos no Rio de Janeiro em 2013. Foto: UOL

Por Guilherme Antonio Kress, especial para o Consciência.Net

A Nação Brasileira vem de despertar para novas perspectivas políticas e sociais, tendo como protagonistas valorosos cidadãos, em sua grande maioria jovens estudantes.

A articulação das passeatas em âmbito nacional e os objetivos até agora alcançados estão aí, para preocupação da politicalha e surpresa de céticos, desfibrados e omissos. E tudo leva a crer que outras manifestações cívicas possam estar a caminho, demonstrando, aqui e no exterior, ser possível reagir, sem armas, à traição daqueles que juraram pôr fim à lógica do capital financeiro, em respeito à lógica do social.

Essas passeatas pacíficas são iniciativas necessárias, oportunas e legítimas, admitidas pela Constituição, ao determinar que todo poder deva emanar da vontade do povo, destinatário dos direitos sociais e individuais nela destacados.

Configuram o exercício direto da democracia participativa, diante da perda de credibilidade dos partidos que ontem eram e dos que hoje são governo, e da omissão ou inoperância daqueles que, na esquerda, pretendem fazer-lhes oposição.

Daí, logicamente, haver sido rechaçada a presença de uns e de outros nas passeatas.

Dos primeiros – os partidos que vêm sendo governo – obviamente por haverem renunciado à nobre função de representantes do povo, para usarem os mandatos confiados às suas legendas como gazuas nos balcões de negócios em que se converteram o Executivo e o Legislativo nas três esferas de poder político; onde, ostensiva e sistematicamente, opera o tráfico de influência em favor dos lobbies de toda espécie e em prejuízo dos direitos e anseios da cidadania.

Quanto aos segundos, – os partidos de esquerda estacionados na oposição aos primeiros –, por virem falhando em suas funções fundamentais, tais como:

(1) contribuir, em regulares atividades presenciais, no aperfeiçoamento da consciência popular quanto aos direitos e prerrogativas da cidadania;

(2) orientar o povo quanto aos verdadeiros objetivos do modelo econômico “neoliberal” que prospera entre nós, esclarecendo sobre o que há por trás dos atos lesivos ao patrimônio público e aos direitos sociais, entre outras falcatruas praticadas pelos agentes do poder, ao invés de simplesmente aterem-se às consequências imediatas dos mesmos atos;

(3) estruturar-se à vista de uma ideologia compatível com a autêntica vontade popular e exprimi-la na busca do poder, ao invés de, por indevida orientação, dar espaço à pregação do “voto útil”;

(4) estabelecer dinâmico programa de ação política destinado à satisfação dos legítimos interesses nacionais, como objetivo permanente de governo.

Não bastam aos partidos de oposição, como lamentavelmente vem ocorrendo, repetir frases estereotipadas e slogans estéreis, nem simplesmente denunciar desvios governamentais ou lamentar os infortúnios nacionais, bradando pela presença do povo nas ruas, sem, no entanto, propiciar-lhe o apoio devido pela representatividade política.

É certo que as observações que ora se registra não se dirigem, de forma generalizada, a tantos quantos, no PCB, PSOL e PSTU, portam mandatos públicos, sendo justo, a propósito, destacar a atuação do deputado estadual Marcelo Freixo(PSOL/RJ), por sua exemplar coragem cívica, proficiência parlamentar e elevada sensibilidade política, notadamente junto ao eleitorado jovem.

O objeto da crítica construtiva se dirige à imperiosa necessidade de que as direções daqueles partidos, fiéis aos seus estatutos, adotem como prioridade a retificação dos rumos de sua ação política, sempre atentos ao inquietante cenário nacional, às insídias e desserviços do cartel midiático e às represálias, de todo gênero, daqueles que, dentro ou fora do governo, temem ver comprometidos seus espúrios interesses.

É essencial que o povo brasileiro, de forma consciente, se mobilize e se mantenha mobilizado na defesa dos direitos individuais e coletivos, e na inarredável direção do progresso com soberania e justiça social, em benefício da atual e, sobretudo, das futuras gerações, pondo fim à prevalência da política amoral e apátrida, e a 513 anos de humilhante periferia.

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