Qual é o critério editorial?

O comentário do ‘Jornal Nacional’ deste sábado 23 sobre morte da cantora Amy Winehouse: “Vai deixar muitos fãs, né?”

Nenhuma repercussão sobre o fato de uma cantora dependente química e alcoólatra ter perdido a vida tão cedo. Mas tudo bem, vão comentar bastante sobre isso. O que se segue é o problema.

Depois de um bloco inteiro (exclusivo) de Amy, continuaram com a confirmação de pelo menos 92 mortos na tragédia da Noruega. Demoraram bastante para dizer o que poderia ser a manchete: a motivação foi política e o assassino era da crescente extrema direita europeia que ameaça em todos os cantos – incluindo no Brasil – a democracia.

Por falar em barbárie, a crise humanitária na Somália continua matando diariamente. Pelo menos 720 mil crianças podem morrer de fome, segundo alerta do UNICEF, na região conhecida como ‘Chifre da África’ (Somália, Etiópia, Djibuti e Eritreia).

E o que saiu hoje sobre isso? Nada.

Qual é, afinal, o critério editorial que permite esse nível indecente de desprezo pela vida?