Presença

libroHá dias em que tudo parece estar errado. Acordas com sono, já que passaste parte da noite acordado, insone. O dia está nublado, portanto, não está propício para ir à praia. Dormes um pouco, para conseguir a energia necessária para atender a necessidades imediatas.

Diriges até a cidade, para que a pessoa a quem acompanhas, atenda a estas necessidades. As coisas começam a melhorar. Vais ao shopping e ficas a olhar as pessoas, distraidamente.

Tantos pensamentos. Um deles, que anotas na tua caderneta: que um dia será possível mapear com exatidão o retiro da percepção: todos os pensamentos, ideias, imagens, sensações, sentimentos, lembranças, propósitos, de uma pessoa. Toda a sua vida interior, perceptiva, num papel.

O dia segue. Almoças, um vinho. De tarde, após a siesta, o mormaço interior prossegue. Como que te sentes fora de lugar. Brincas com cores, tratando de trazer para a tela umas flores da entrada da tua casa.

O resultado, não se assemelha nem um pouco a uma obra de arte. Foi apenas uma brincadeira. Mais tarde, ouves uma conversa da tua esposa na sala, com uma amiga. Sobre a partida prematura de um jovem. No mesmo momento, lês na Bíblia, um trecho do livro da Sabedoria, sobre a partida prematura do justo.

Começas a te encaixar, ou as coisas começam a mostrar o seu lugar. Sentes um alívio intenso. Será que as coisas estavam fora de lugar, ou era mais uma questão de se ater ao que se apresentava, ao que se apresenta? Talvez seja mais isto. Se assim fosse, por que então não prestar mais atenção ao nosso modo de estarmos presentes, ao nosso estar aqui, agora?

Amigo Rolando
Você tem o dom de pintar com palavras o que escreve. Há tons, cores, sons.
Obrigada abraços magdala

  • Amigo Rolando
    Seus textos nos remete a inúmeras reflexões, “Presença” não é diferente.
    Grata, Clea

  • Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *