Pra que serve o WhatsApp? Para te confundir

Foto: reprodução da internetTudo o que temos à disposição, hoje, já garante uma ótima comunicação para diversos propósitos. Poucas pessoas no ano 2000 acreditariam no que temos atualmente disponível em termos de tecnologias de informação e comunicação.

Na ciência, já se sabe há muito tempo: quantidade não quer dizer qualidade. Não há correlação, a não ser por outros parâmetros. Muito, inclusive, pode significar um mal funcionamento de algum organismo.

As pessoas usam as ferramentas de acordo com seus saberes, e cada uma se adapta melhor a você — incluindo o “radinho” de pilha, por exemplo. Pode ser o WhatsApp? Pode.

Mas meu palpite, depois de um tempo estudando isso, é que entramos numa era de colapso informativo. Ninguém sabe mais, ao certo, o que está acontecendo.

A dita manipulação dos grandes meios, vinculada à velha economia, continua. Ao lado dela, agregam-se diversos “novos” complicadores, como a manipulação ampliada nas redes sociais; as manipulações e confusões criadas nas próprias redes; a quantidade de informações desencontradas; a ausência quase que completa de certificação (quem realmente disse o quê?); entre outros.

Para quem tem foco, parabéns: vivemos no melhor dos mundos. Mas quem tem foco? Quem sabe dosar a quantidade de informação e dizer “não” mais do que sim.

O WhatsApp (ou outros serviços do tipo), por melhor que seja do ponto de vista meramente financeiro, é a ponta de um processo de décadas que articula a “novidade” como o mais importante elemento do mundo contemporâneo. Pouco importa se algo realmente “é”; basta que tenha aparentemente “sido” agora, neste exato momento. O último é sempre o melhor.

Está mais do que óbvio, pra mim, que trata-se de um projeto neoliberal clássico: dane-se a memória, a perspectiva ou as ideias. O indivíduo, aqui e agora, é a única coisa que importa. Daí a importância do “furor” da “timeline”, que só faz repetir e repetir as mesmas farsas, acontecimentos espetaculares sem lugar ou opiniões similares, com raríssima reflexão.

Neste cenário, não existem muitas pessoas que chegariam ao final de um texto deste tamanho, por exemplo, porque não mais que 140 caracteres importam. Diga logo o que quer ou se manda, seu “filósofo” — cada vez mais, este profissional outrora tão prestigiado passa a ser um adjetivo pejorativo daqueles que, veja que absurdo!, refletem sobre o mundo que aparentemente passa (e será que passa mesmo?).

A confusão promovida pelo excesso de informação é um projeto. Não tem autor definido, claro, e assim são os projetos. A intenção é tornar o ser humano um mero consumidor, no seu sentido amplo: a maioria das pessoas apenas consome pílulas informativas, sem nunca se aprofundar em qualquer tema que seja. A hiperespecialização, tão criticada por seu elemento desumanizador, ganha um poderoso aliado neste projeto.

Saber dizer “não” parece ser uma tarefa árdua, nestes tempos de histeria informativa. Mas é bastante simples, na verdade. E quanto mais “nãos” dizemos, mais simples fica.