Poesia e literatura

Me deixava ir pela ladeira da memória. A cidade perdida de Marte, de Bradbury. A cidade e as estrelas, de Arthur Clarke. Nas montanhas da loucura, de Lovecraft.

Esse mundo sem fronteiras nem ideologias, essa terra que se estende em todas as direções, me acolhendo, acolhendo o mundo, a vida, tudo que existe.

O mundo da literatura, dos contos, dos romances. Outro mundo é o da poesia. Um mundo também sem proprietários.

Um poeta prossegue as rimas dos outros, a construção é anônima e sem outro alvo que ela mesma, esse algo que não pode ser alcançado de outra forma.

Borges o disse na Arte poética. A alusão. É um mundo de alusões. O poeta busca o que está ali, dentro dele e ao seu redor, e o traz para o lado de cá, o lado do efêmero, e nesse efêmero enxerta a eternidade.