Pluralmente

fotoNão resisto à tentação de dizer algumas palavras acerca de um fato simples, com o qual estamos obrigados (obrigadas) a coexistirmos atualmente. E este “atualmente” não pretende ser apenas este aqui e agora pontual, os dias de hoje, e, sim, um tempo que poderia ser datado em pelo menos uns cem anos. Refiro-me ao fato de que temos que conviver com uma pluralidade de opções de escolhas. Uma diversidade de orientações valorativas. A nossa vida cotidiana está permeada por uma situação na qual temos que estar permanentemente dizendo: isto sim, isto não. Na história do pensamento sociológico, estaríamos nos situando no fim da sociedade em que prevalecia a solidariedade orgânica (Durkheim), baseada na semelhança, passando para uma sociedade baseada na dessemelhança.

Esta situação tem se exacerbado tanto, tem aumentado tanto o que diferencia uma pessoa da outra, que o estado de anomia (falta de normas, leis, padrões) parece ter se instalado em várias esferas da convivência. Dentre elas, a vida cotidiana. Mas não gostaria aqui de me deter em algo que aparece como uma patologia. Talvez o seja, mas o que me interessa neste momento, é o fato de que, no momento atual, no nosso dia a dia como pessoa, como cidadão, esposo, pai, filho, etc, em fim, nos diversos papéis sociais que nos vemos obrigados (obrigadas) a desempenhar, temos que nos defrontar com escolhas que frequentemente nos exigem ter que decidir dentro de um leque de possibilidades por vezes demasiado amplo.

Max Weber, Ralph Linton, Alfred Schutz, Adalberto Barreto, Peter Berger, José Comblin e Zigmunt Bauman, aludem, desde distintas perspectivas sociológicas e antropológicas, ao fenômeno do qual estou me ocupando aqui de maneira tão sucinta.

O que estou querendo focalizar aqui, de maneira bem simples e direta, é que o fato de termos hoje que nos defrontar com escolhas valorativas muitas vezes em conflito, ou em número excessivamente amplo, pode ao mesmo tempo ser uma dificuldade, e também uma possibilidade. Trata-se de uma situação que em algum sentido, favorece ou até exige um exercício maior da autonomia individual, da responsabilidade da pessoa, e da liberdade humana.