Paulo Freire como expressão de denso diálogo

I. Articulações: Paulo Freire/ Karl Marx e/ou F. Engels

P.O. p.20: Recorrendo a uma citação indireta de Marx, Freire nele se apóia para críticar, não a subjetividade, mas o subjetivismo.

P.O. p.21: Freire cita Marx e Engels, neles se apoiando para argumentar da exigência da Práxis, no sentido de que  a libertação do ser humano requer a tomada de consciência da opressão, combinada com a luta contra o sistema.

P.O. p. 52. Amparado nos Manuscritos Econômicos-Filosóficos de Marx, em que este sublinha a distinção entre o trabalho de outros animais e o trabalho criativo dos seres humanos – “Daí que seus produtos fora de dúvida, ’pertençam diretamente aos seus corpos físicos, enquanto o homem é livre ao seu produto.’”-, Paulo Freire cuida de salientar a capacidade criativa do ser humano, fazendo questão de distinguir os produtos do trabalho humano de produtos de outros animais, tais como a colméia, o ninho, etc..

P.O. p, 22: Freire cita a Tese 3 de Marx, dirigida a Feuerbach, para sublinhar a importância do processo educativo na ação revolucionária. Processo requer que o próprio educador também seja educado e reeducado.

P.O. p.24: Freire se remete a Marx, paa alertar os revolucionários contra o risco da burocratização, ao se substituirem ao antigo regime, utilizando-se dos seus velhos instrumentos, a “burocratização.”

P.O p.73: Freire se remete a Marx, para advertir contra a falsa dicotomia entre a condição de sujeito histórico e de produto das circustancias históricas.

E.P.L. p.101: Invocando Erich Fromm, acerca do conceito de Homem em Marx, e mais precisamente do risco de alienação da linguagem, Freire sublinha a preocuapação de Marx, quanto  a necessária distinção entre o dizer e a experiência, alertando do risco de confundir palavra com ação.

A.C.L p35: Ao contestar com base em Marx, a suposta neutralidade da tecnica ou do pensar humano, Freire atribui ao que Marx qualifica de uma “mentalidade grosseiramente materialista”, a tentativa de se fazer passar a ideia de neutralidade nas relações humanas.

A.C.L p.41: Em Freire, como em Marx, a “pronuncia” do mundo implica sempre uma “ação consciênte” sobre o mesmo.

A.C.L p.54: Freire, ao escrever sobre “A ação cultura e a conscientização”,  cita a Teses III de Marx, objetando a posição de Feuerbach, a propósito da unidade dialética do pensar e fazer humanos, ou mais precisamente, da consciência e da objetividade. Nõo se trata de suposta subordinação de uma à outra, mas de interação diáletica, tal como explicitado na Tese III.

A.C.L. p.55: Na página seguinte, do mencionado capitulo de Freire, este tece considerações acerca da criticidade como característica exclusiva do ser humano. Ao fundamentar sua tese, recorre a Marx, citando a conhecida passagem “registrada no livro I, tomo I, de O Capital, na qual, após destacar o encanto provocado pelo trabalho da aranha e da abelha,  ressalta vivamente o trabalho do ser humano, que daquelas se destingue, pelo fato de que, antes de excecutar o produto do seu trabalho, o ser humano o projeta na consciência.

A.C.L p76: No seu “Processo de alfabetização política – uma introdução”, Freire retoma a Tese III de Marx, para acentuar a importância e a necessidade de que, também, o educador deve ser (re)educado, sob pena de tornar-se a quem de seu ofício de educador.

A.C.L. p.108: Em entrevista concedida por Freire ao Instituto de Educação Cultural de Genebra, mencionada num dos capítulos de ACL, Freire acentua a interação dinâmica que se deve observar entre as condições objetivas e as condições subjetivas de uma situação revolucionária, para o que se socorre de Marx,

E.C.p.35 e 51: Em Extensão ou comunicação?, Paulo Freire ancorado em Marx, em Hegel e outras, acentua nos educandus sua capacidade criativa, protagônica, no sentido de não se limitar a ler e reproduzir ideias alheias, mas de dialogar críticamente com esses autores, ousando também dizer sua palavra.

CGB. P 118-120: Em sua carta número 3, de 1976, dirigida aos “camaradas Monica, Edna e Paulo”, Freire, buscando explicitar os mecanismos de exploração impostos à Classe Trabalhadora pelo Capitalismo, remete-se a O Capital de Marx, em que este detalha os mecanismos de exploração daquele sistema, desde a transforamção de tudo, inclusive dos humanos, em mercadoria, a serviço da “mais-valia” para poucos.

C.G.B. p 124: Freire retoma Marx, em O Capital, para fundamentar sua leitura da realidade vivida pelos trabalhadores de Guiné Bissau, aqui, Freire trata de associar ao conceito marxiano de trabalho, o de cultura, analisando o intercâmbio entre ambos, tornando, claras, as implicações culturais do trabalho humano, e sua relação com a natureza.

P.P.P. p9: Já nas primeiras páginas de Por uma Pedagogia da pergunta, Freire se remete a autores como Marx, Hegel e Sartre e outros para sublinhar a importância do filosofar como instrumento de análise da realidade, para além de mera abstração.

P.P.P. p30: Ao críticar a postura vanguardista, de desprezo e distanciamento das massas populares, Freire recorre a Marx (e Engels), remetendo a uma carta circular dirigida a A. A. Bebel, G. Liebknecht, W. Bracke e outros, na qual Marx, irado, afirma não se poder confiar em gente que despreze como incultos os trabalhadores

P.P.P. p33: Freire recorre indiretamente a Marx, por intermedio da interpretação de Gramsci, para reforçar a necessidade de se utilizar um conceito como mero instrumento de mediação para melhor se compreender a realidade concreta, mas sempre partindo dela.

P.P.P. p37: Como em outros livros, aqui Freire se remete a Marx, quando este distingue o trabalho da abelha em relação ao do operario, para enaltecer a grandiosidade do trabalho humano. Paulo Freire aí argumento da importancia do “sonho” ou de se projetar, junto com as classes populares, um novo desenho de sociedade, como primeiro passo para concretizá-lo

P.P.P p.46 : Freire recorre a Marx e Engels em seu livro “A ideologia Alemã” na página 75, em que sustentam que, numa sociedade de classe, a ideologia dominante é a ideologia da classe dominante, a fim de críticar a postura de desprezo manifesta pelas elites em relação a tudo que diga respeito à cultura popular, julgando-a como inculta e feia.

P.A., p.62. Em Pedagogia da Autonomia, ao criticar uma suposta neutralidade das posições das forças sociais em disputa, Freire se remete a Marx, em quem se inspira na opção pela radicalidade marxiana, isto é, de alguém comprometido, não com as aparências ou com o epifenômeno, mas com a raiz (“radix”, raiz) dos problemas do ser humano, colocando este como centro das preocupações. Daí a opção Freiriana assim formulada: “Continuo bem aberto à advertência de Marx, a da necessária radicalidade que me faz sempre desperto a tudo o que diz respeito à defesa dos interesses humanos.” (P.62)

P.A., p.81. Ante as manifestações destrutivas da ordem neoliberal, Freire sublinha a importância da rebeldia daquelas e daqueles que, lutando como Gente por uma alternativa à barbárie capitalista, invoca Marx e Engels, no famoso Manifesto do Partido Comunista, de 1847, em que estes autores convocavam os trabalhadores a uma rebeldia coletiva contra tal sistema. Preocupação semelhante por Freire também manifesta anteriormente, na página 62.  “Há um século e meio Marx e Engels gritavam em favor da união das classes trabalhadoras do mundo contra sua espoliação. Agora, necessária e urgente se fazem a união e a rebelião das gentes contra a ameaça que nos atinge, a dos à “fereza” da ética do mercado.” (p. 81)

P.E.R.P.O, p. 24. Menos por uma citação ou referência direta a Marx e a Hegel, vale a pena reter de Freire sua postura maiêutica, descrita em seu livro Pedagogia da Esperança, em que propõe um “jogo” conjunto com os trabalhadores que o escutavam, com o propósito de despertá-los em relação a sua condição de sujeitos cognoscentes. No jogo, ao fazer uma pergunta sobre a influência de Hegel em Marx, a qual os trabalhadores não souberam responder, Freire também, por sua vez, não consegue responder a pergunta dos seus interlocutores. : “Ao me despedir deles lhes fiz uma sugestão: “Pensem no que houve esta tarde aqui. Vocês começaram discutindo muito bem comigo. Em certo momento ficaram silenciosos e disseram que só eu poderia falar porque só eu sabia e vocês não. Fizemos um jogo de saberes e empatamos dez a dez.”

P.E. p.45 e 46: Ao contestar toda postura determinista por parte da militancia, Freire socorre-se de Marx e Engels em seu livro “A Sagrada Família”, em que entendem ser necessária a tomada de consciência da opressão, como condição para supera-la. Freire refuta toda tendencia fatalista, argumentando da necessidade para as classes populares e para seus intelectuais, de aprofundamento cognitivo das diversas manifestações das relações orpessivas. É impertinente, para Freire, a postura arrogante, seja da parte dos intelectuais, seja da parte das forças progressistas, pretenderem prescindir do protagonismo das massas populares, para alcançar a revolução. Trata-se de tarefa necessariamente conjunta, de responsabilidade conjunta, desenvolvida nos entrechoques da história e suas incertezas.

P.E.R.P.O., p.46. Freire responde, com fortes argumentos, a costumeiras críticas a ele dirigidas sem fundamento convincente, objetando contra tais críticas aligeiradas dois argumentos letais: o de que é um autor ainda vivo e o de que, a altura das críticas a propósito de Pedagogia do Oprimido, este constitui apenas um de seus livros. Remete, então, ao próprio Marx contestando críticas infundadas a ele atribuídas por seus adversários: “eu não sou marxista.”

P.E.R.P.O p.75-76. Densos relatos aí são resumidos por Freire, ao destacar sua postura crítica e comprometida com a causa dos “debaixo”, o que lhe permitiu dialogar com interlocutores militantes de várias correntes de Esquerda, que se entregavam confiantemente, de forma recíproca, a uma autoavaliação coletiva e pessoal, processo em que também incide a influência marxiana da autocrítica e da necessidade que o educador tem de ser reeducado.

P.E.R.P.O, p.91-92; 96. Freire, nestas passagens, se reporta a várias situações embaraçosas que teve que enfrentar, ante acusações hegeliano-idealistas atribuídas ao livro Pedagogia do Oprimido, por parte de setores dogmáticos do marxismo. Por outro lado, também dá conta do bom diálogo travado com outros setores de orientação marxista, abertos a compreensão da conscientização no processo revolucionário.

P.D.C., p.28. Aqui, Freire acentua duas importantes dimensões que o caracterizam: a pedagógica e a política. Em seu quefazer, Freire não consegue separar uma dimensão da outra. Enquanto pedagogo, não se apaga nunca sua dimensão de político; enquanto político, carrega seu potencial pedagógico. Assim argumenta, contrapondo-se a uma visão positivista que defende a separação dessas esferas. Apoiando-se em Marx, Freire explicita sua posição de um ser cuja vida é dedicada a transformação da realidade social, na perspectiva dos “debaixo”, razão por que também se remete a Marx ao entender a história, não apenas como condicionante das práticas humanas, mas também sujeita à ação transformadora dos próprios humanos.

P.D.C., p. 33-34. Nestas passagens, mais uma vez, constata-se a afinidade de Freire em relação a Marx, ao refutar a pretensa dicotomia entre mundanidade e transcendentalidade, entre história e meta-história, ilustrando, de forma irônica, com o diálogo estabelecido, por ocasião de um encontro, entre ele e um interlocutor italiano, extremamente fiel a sua perspectiva exclusiva de transcendentalidade.

P.D.C., p.53. Em Pedagogia: Diálogo e Conflito, Freire expõe sua inquietação acerca de uma postura rígida, inflexível dos defensores da tomada do poder. Ainda que entendendo-a necessária, ele pondera, com fundamentação em Amílcar Cabral (e também marxiana), que importa ter presentes os riscos de quem, a todo custo, reduz toda a sua luta a estrita tomada do poder, das mãos da burguesia, como se fora “a receita”, desconsiderando riscos de viciamentos de burocratização. Daí preferiu Freire apostar mais na reinvenção do poder do que na mera tomada do poder.

P.D.C., p.62-63. Em Pedagogia: Diálogo e Conflito, no capítulo intitulado “De ‘trânsfugas’, ‘convertidos’ e ‘suicidas’”, Freire, em interlocução com Gadotti e Sérgio Guimarães, reflete sobre a necessária interação dinâmica entre a história e os humanos, de inspiração marxiana por força da qual não somos apenas objeto da história, mas também seus agentes. Outro aspecto aí considerado por Freire remete a condição do “trânsfuga” ou do “suicida” – expressões dos seus interlocutores -, as quais Freire agrega a de “convertido”, fundamentando este conceito de inspiração cristã no movimento da própria história de um lado e, do outro, de quem ousa converter-se da condição de membro da classe dominante para a classe dominada, processo que implica em conflito e no necessário deslocamento de um lado a outro, ou mais claramente, nos entrechoques da história. Nas palavras de Freire, “A conversão no fundo é uma caminhada, e nesse sentido aqui usado é uma caminhada que se dá na esfera do pólo dominante para o pólo dominado, mas só se completa na travessia mesma, só se dá é na marcha. Não no gabinete.”

P.D.C., p.88. Inspirado na concepção gramsciana de hegemonia e contra-hegemonia, Freire retoma a reflexão sobre a íntima e orgânica relação entre teoria e prática, advertindo contra o risco de uma dicotomização entre teoria e prática.

P.I., p.44. Em Pedagogia da Indignação, Freire, recorrendo a Marx, e mais precisamente a seu conceito de Práxis, reitera sua aposta na mudança como ato político, isto é, como prática e reflexão de quem, estando no mundo e com o mundo e com os demais humanos, investe nos processos de mudança o que significa necessariamente lidar com a política. Nas palavras de Freire, “Não é possível estar no mundo, enquanto ser humano, sem estar com ele e estar com o mundo e com os outros é fazer política.” (página 44)

P.I., p.61. Tal como em textos precedentes, Freire reitera seu apreço e seu reconhecimento da importância do trabalho humano, distinguindo-o do admirável trabalho da abelha, como o faz Marx. Diferentemente desta, o ser humano antes de executar seu trabalho, projeta-o. Daí, a força de sua criatividade e de sua capacidade comunicativa. “Discutindo o trabalho humano em face do trabalho do outro animal, diz Marx que nenhuma abelha se compara ao mais “acanhado” mestre-de-obras. É que o ser humano antes mesmo de produzir o objeto tem a capacidade de ideá-lo.”

M.O.C.P., p.35. Ao constatar, indignado, as gritantes desigualdades sociais existentes numa mesma cidade, Freire cuida de examinar as causas dessa realidade, daí recorrendo ao estudo de economia e política, em Marx.

M.O.C.P., p.56. No mesmo livro, em diálogo com Ira Shor, a propósito da importância do rigor necessário nos espaços formativos, Freire defende a necessidade de se assegurar, em sala de aula, condições de leitura dos clássicos, independentemente das correntes que representem, chegando a acusar de atitude racista a de quem impede, em sala de aula, acesso a este ou aquele clássico.

M.O.C.P., p.72. Detendo-se no conceito de empowerment presente no diálogo com Ira Shor, Freire adverte da necessidade de atenção especial, por parte dos analistas, ao que se passa em matéria de classes sociais nos Estados Unidos, quando comparada tal leitura ao que se passa com as classes sociais na América Latina. Uma leitura marxista mecanicista não favorece a uma compreensão objetiva da diferença existente entre os antagonismos de classes nos Estados Unidos e os vigentes na América Latina.

M.O.C.P., p.86. No debate, provocado por Shor, e dirigindo-se a Freire acerca de certa cultura do silêncio presente em ambientes de estudo dos Estados Unidos, Freire expressa, pela enésima vez, sua ira, indignação e ironia contra os modos abstratos de pretensa leitura da realidade concreta, simplesmente recorrendo ao jogo de conceitos descolados do contexto concreto. Amparado em Marx, Freire critica inclusive intelectuais ditos marxistas que, ao estuda-lo, acabam enjaulando-o em meras tramas conceituais, sem se darem ao trabalho sequer de conferir a realidade concreta junto às classes populares.

M.O.C.P., p.92. Tomando em consideração o contexto vocabular de alunos de graduação e pós-graduação, Freire, provocado por Shor, descreve sua experiência com tal realidade. Ele parte sempre da escuta atenta das experiências de seus alunos, filtrando em seu universo vocabular conceitos-chave que lhe permitem conhecer do seu cotidiano de vida e de trabalho. Desse modo, os estimula a irem de seu universo vocabular corriqueiro a compreensão da realidade concreta, mediada pelo emprego dos conceitos acadêmicos pertinentes, não importando a que corrente de pensamento se refiram.

C.C.p.103: Em Cartas para Cristina Freire narra encontro que teve com jornalistas australianos, causando-lhes apreensão sua confição de que sua aproximação com as classes populares, ainda que de partida motivda pela sua fé cristã, o faz recorrer a Marx, em busca de causas mais concretas daquela situação de miserabilidade. Para Freire o dialogo entre cristo e Marx, longe de causar-lhe alguma ruptura, alimentou sua condição de pesquisador e de cristão.

C.C.p.208-209: A certa altura do livro, Freire volta a sublinhar o papel da subjetivdade no processo histórico, mas uma vez contrapondo-se a uma interpretação mecanicista não raro encontrado em escritos marxistas ortodoxos – que não encontra ressonância em Marx -, Freire rebate posturas objetivistas que desconsideram a força dos sujeitos no processo  de transformação social.

P.S.T.N.p.61: Na setima carta dirigida “a quem ousa ensinar”, Freire registra e crítica o equivoco cometidos pelos que fazem uma leitura mecanicistas de Marx, focando a luta por transformação social exclusivamente na infraestrutura, supondo equivocadamente que alteração estritamente economica fosse suficiente para dar conta do conjunto de desafios enfrentados. Freire também os acusa de terem, não apenas conseguido transformar a sociedade, mas de tê-la retardado, com sua falsa dicotomização entre democracia e socialismo.

A.L.M.P p.41: No livro “Alfabetização: leitura do mundo, leitura da palavra”, em diálogo com Donaldo Macedo, e por este provocado, Paulo Freire se reporta a Marx, para fundamentar sua resposta a Macedo, a propósito de sua indagação acerca do papel da ação humana na relação entre campanhas de Alfabetizção e Educação. Freire lembra a conhecida tese marxiana sobre a indissociabialidade entre as cndiçõess concretas às quais estão limitados os seres huamnas, e por outro lado, a Açã Humana,  capaz de auterar e superar os condicionantes presentes na realidade social. Com as palavras usadas por Freire, citando Marx: “Ele diz que o homem faz a história com base nas condições concretas que encontra…. ”É da relações concretas ou, mais precisamente da relação entre o concreto e o possível.

A.L.M.P p78: À pergunta formulada por Macedo, sobre a necessária “nítidez” política, recorre a Marx, para sublinhar que esta não tem a ver com meras citações do pensamento Marxiano, mas com a busca de interpretação da realidade social, de modo objetivo.

S.E.D.2 p.61-62: No livro Sobre Educação (Diálogos) Vol.II, ao refletir sobre o tópico “No vídeo, das teses de Marx a um sem-número de coisas!” interlocução com Sérgio Guimarães, Paulo Freire enfrenta o debate sobre as positividades e negatividades possíveis dos instrumentos audiovísuais, mas específicamente, a utilização da televisão em círcuitos fechados. Sustenta tratar-se de instrumentos em si neutros. O uso deles, vai comportar a orientação político ideológica dos seus operadores. Freire ilustra sua afirmação, com um exemplo hipotético do estudo, em circuito fechado das “Teses de Marx a Feuerbach”.

II. Articulações Paulo Freire – F.Hegel.

P.O. p.5: “Hegelianamente, diaríamos: A verdade do opressor reside na consciência do oprimido.” Com esta afirmação, Freire expressa sua convicção do necessário processo de consciêntização, como tarefa prioritária do processo de libertação dos oprimidos.

P.O. p.12: “E é apenas arriscando a vida que a liberdade é obtida… O indivíduo que não apostou sua vida pode, sem dúvida, ser reconhecido como uma pessoa, mas ele não alcançou a verdade desse reconhecimento como uma auto-consciência independente.” HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. The phenomenology of spirit. Harper and Row, 1967, p.233.

P.O. p.19: “A verdade da consciência independente é (nesse sentido) a consciência do servo.” HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. The phenomenology of spirit. Harper and Row, 1967, p.237.

P.O. p.19/20: Partindo da dialética Hegeliana, no que tange à percepção da relação opressor-oprimido, Freire vai além: para Freire, não basta “saber-se numa relação dialética com o opressor” (ou com o oprimido). Para Freire, uma verdadeira solidariedade com os oprimidos requer assumir sua causa, numa práxis liberadora.

C.C.p181: Freire adverte quanto a uma postura a crítica por parte de educadores e educandos, por não problematizar a dimensão política da educação, uma de cujas implicações é a de não atentarem a necessidade de o educador ser educado, razão por que assinala neles ausencia da própia diáletica hegeliana.

P.P.P: Em algumas passagens de Por uma Pedagogia da Pergunta, livro de autoria de Paulo Freire e Antonio Faundez, é sobretudo este que se remete a várias construções hegelianas.

E.M. p.30: Em Educação e Mundança e em Conscientização (p.58-59), Freire reporta-se, à dialetica Hegeliana existente entre o “Ser para si” e o “Ser para o outro”, ao críticar as relações de uma “sociedade objeto”, antagônica a uma “sociedade-sujeito”. Para Freire, como para Hegel, somente esta última é portadora de uma consciência autonoma, enquanto “sociedade objeto” volta-se a interesses  senhoriais. Na mesma passagem, Freire remete-se à Fenomenologia do Espírito, de Hegel. Em Consientização, Freire sustenta, como antídoto à dominação emperante sofrida pelos oprimidos, que “a verdadeira solidariedade supõe que se combata a seu lado para transformar a realidade objetiva que fez deles ‘seres-para-o-outro’”. (ib).

VII. Articulações Paulo Freire – Outros Marxistas

1. Articulações Paulo Freire – Rosa Luxemburgo.

P.O., p.14. “ Enquanto o conhecimento teórico permaneça como privilêgio de uns quantos ‘acadêmicos’ dentro do partido, este se encontrará em grande perigo de ir ao fracasso.”

2. Articulações Paulo Freire – G. Lukács

P.O. p 22. Freire recorre a esse autores para destacar a importancia do papel dos revolucionários, de estimularem as massas a, não apenas perceberem os mecanismos geradores de sua opressão, mas também de se empenharem em sua superação.

3. Articulações Paulo Freire – A. Gramsci

V.A. p.15-21: No livro Vivendo e Aprendendo. Paulo Freire, ao abordar o tópico “Conhecer para Transformar”, remete a Antonio Gramsci, para fundamentar o papel político-educativo dos educadores comprometidos com a transformação social. Acentua a importância de sua atuação entre as classes populares, no sentido de nelas despertarem a consciência crítico-transformadora, na direção da construção de uma nova cultura, na qual as classes populares sejam protagonistas de sua própia história.

P.D.C., p.54. Mais uma vez, Freire traz a lume, desta vez inspirado na concepção gramsciana de intelectual orgânico, a relação intelectual-classes populares, salientando seu papel em tal relação. Não se trata de impor às massas sua concepção revolucionária, mas de na dinâmica interação discente-docente com as classes populares, despertá-las para o seu potencial revolucionário, a partir da compreensão da importância da teoria e da prática. É lamentável que grande parte das forças de esquerda tenham negligenciado, em seu trabalho com as classes populares, o papel da teoria na ação revolucionária, à medida que foram distanciando-se ou mesmo abandonando o trabalho organizativo e formativo junto às mesmas. Aqui se encontra um dos fatores decisivos da atual crise política e ética ainda em curso no Brasil e Alhures.

4. Articulações Paulo Freire – Louis Althusser

P.O. p.87:  Freire remete ao conceito althusseriano de “Sobredeterminação”, ao analisar formas não consciêntes de dominação experiementadas pelos oprimidos, em razão do universo ideologico introjetado e assumido “inconscientemente” por parte dos oprimidos.

5. Articulações Paulo Freire – Mao Tse Tung

P.O p.77: “Uma ação livre somente o é na medida que o homem transforma seu mundo e a si memso, se uma condição positiva para a liberdade é o despertar das possibilidades criadora humanas, se a luta por uma sociedade livre não o é a menos que, através dela, seja criado um sempre maior grau de liberdade individual.” TSE-TUNG, Mao, On Contraditions. Man and)