Papa Francisco: valorizar as pessoas mais próximas, que se esforçam por viver o Evangelho

Mensagem do Papa Francisco – “Angellus”, dia 1/11/2015

Caros irmãos e irmãs, bom dia e boa festa!

Na celebração de hoje – festa de todos os santos -, sentimos particularmente viva na realidade da comunhão dos santos, a nossa grande família, formada por todos os membros da Igreja, tanto em relação aos que ainda estamos a peregrinar pela terra, quanto aqueles – imensamente mais numerosos – que já partiram para o céu. Estamos todos unidos! Todos! E a isto se chama a comunhão dos santos, isto é: a comunidade de todos os batizados. Apresenta-os como uma multidão imensa de eleitos, vestidos de branco e marcados com o selo de Deus. Através deste último detalhe, em linguagem alegórica, vem sublinhado que os santos pertencem a Deus, de modo pleno e exclusivo. São propriedade dEle. E o que significa trazer o selo de Deus na própria vida e na própria pessoa? Eis o que ainda diz o apóstolo João: significa que em Jesus Cristo, tornamo-nos verdadeiramente filhos de Deus. Será que estamos conscientes deste grande dom? Todos nós, filhos de Deus. Será que nos lembramos de que no Batismo recebemos o selo do nosso Pai celeste e nos tornamos Seus filhos? Para dizer isto, de modo simples: trazemos o cognome “de Deus”; o nosso cognome é “de Deus”, porque somos filhos de Deus. Aqui está a raiz da vocação à santidade. E os santos que hoje recordamos são justamente aqueles que viveram na graça do seu Batismo, que conservaram íntegra a marca, ao se comportarem como filhos de Deus, buscando imitar a Jesus, e agora alcançaram a meta, pois finalmente veem a Deus como Ele é.

Uma segunda característica própria dos santos é que são e que são exemplos a imitar. Mas, atenção! Não apenas os canonizados, mas os santos, por assim dizer, “ao lado”, que com a graça de Deus se esforçaram por praticar o Evangelho na rotina de sua vida. Não foram canonizados. Destes santos também encontramos; talvez alguns deles, os tenhamos tido na família, ou entre amigos e conhecidos. Devemos ser-lhes agradecidos, e sobretudo gratos a Deus que no-los concedeu, que os colocou perto de nós como exemplos vivos e contagiantes do modo de viver e de morrer na fidelidade ao Senhor Jesus e ao Seu Evangelho. Quanta gente boa já conhecemos na vida, e ainda conhecemos! E dizemos: “Mas, essa pessoa é um santo!” E isto falamos espontaneamente. Estes são os santos com os quais convivemos de perto; que não estão canonizados, mas vivem conosco. Imitar seus gestos de amor e de misericórdia é um pouco perpetuar sua presença neste mundo. E, de fato, são esses gestos, os únicos que resistem à destruição da morte: um ato de ternura, uma ajuda generosa, passar um tempinho a escutar, uma visita, uma palavra boa, um sorriso… Aos nossos olhos, tais gestos podem parecer insignificantes, mas aos olhos de Deus são eternos, porque o amor e a compaixão são mais fortes do que a morte.

Que a Virgem Maria, Rainha de todos os Santos, nos ajude a confiar-nos mais na graça de Deus, para caminhar com bravura pela estrada da santidade. Confiemos à nossa Mãe nosso empenho de cada dia, e também lhe peçamos por nossos caros defuntos, na íntima esperança de nos reencontramos, todos juntos, na comunhão gloriosa do Céu.

https://www.youtube.com/watch?v=HyiZ7JgD_7U

(Do minuto 0:44 ao minuto 07:30)

Trad.: AJFC

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