Papa Francisco em diálogo com jovens africanos sobre violência, corrupção e tribalismo

Resumo dos principais pontos do discurso do Papa Francisco na sua visita ao Quênia.

* Agradeço-lhes por haverem rezado o rosário, em minha intenção. Agradeço-lhes pela presença entusiástica. E, com base nas perguntas levantadas por Lenietn e Manuel, tenho algo a lhes dizer.

* Primeiro, em relação às perguntas levantadas por Lineth: Por que ocorrem tantas divisões, guerras, mortes, fanatiscmos, divisões entre os jovens? O que explica o desejo de tanta destruição?
* Já nas primeiras páginas da Bíblia, lê-se o episódio do assassinato de um irmão pelo outro. O espírito do mal por vezes nos arrasta para a destruição, para o tribalismo, para a corrupção e para as drogas, o fanatismo…

* O que se pode fazer diante disto? Há uma palavra incômoda aos ouvidos, que não devo deixar de dizer: trata-se do tribalismo. Que fazer? Primeiro, é preciso orar. Um homem ou uma mulher chega a perder sua humanidade, quando se esquecem de rezar, porque se sentem poderosas ou não sentem necessidade de pedir a Deus que os socorra.

* A vida é cheia de dificuldades. Há dificuldades de todo tipo, e há diversas formas de se lidar com elas. Você se sente paralisado com as dificuldades, ou você as enfrenta como oportunidades? Para vocês, trata-se de uma escolha em aberto. Como vocês as enxergam? Para mim, elas são oportunidade para destruir ou para superá-las, seja para mim, seja para a minha família ou para o meu país?

* Jovens, nós não vivemos no céu, vivemos na terra. E a terra é cheia de dificuldades e apelos para arrastá-los para o mal. Mas, há algo que todos vocês têm: a capacidade de escolha. Que caminho você quer seguir? Qual dos dois eu quero: este ou aquele? Você quer superar os desafios ou quer ser por eles vencido?

* O tribalismo pode destruir. Ele pode ser visto como alguém que põe as mãos para trás, para escondê-las, tendo em cada uma delas uma pedra jogar contra as pessoas. Mas, o tribalismo pode ser superado por meio de sua escuta, do seu coração e por meio de suas mãos. Perguntem a vocês mesmos: qual é a sua cultura? Como vocês se comportam diante dela? Porque seus parentes têm esses costumes? Eles são inferiores ou superiores?

* Uma vez que ouvimos a resposta chegando aos ouvidos, então ela passa para os corações. E depois, eu estendo minha mão. Se vocês não dialogarem entre si, então estarão criando divisões como um atenmpestade que tende a crescer, na sociedade.

* O dia de ontem foi anunciado como um dia de oração e de reconciliação. Hoje, quero convidar todos vocês, jovens, a Lineth e Manuel, a que todos peguem e segurem as mãos, e juntos, vamos levantá-las em sinal contra o tribalismo. Somos todos uma nação. É assim que devem ser nossos corações. Não foi o tribalismo que hoje levantou nossas mãos. Foi a expressão de um desejo comum de superar, dia após dia, a tendência do tribalismo.

* Agora, com relação à questão sobre a corrupção. Eu me pergunto se a gente pode justificar a corrupção, só pelo simples fato de que todo mundo é corrupto? Como podemos ser cristãos e superar este mal da corrupção. Em meu país, um jovem de cerca de 20 anos disse que queria dedicar-se à Política. Então, estudou com afinco, e depois conseguiu um emprego. Certo dia, teve que tomar uma decisão sobre coisas que tinha que comprar. Para tanto, tinha que escolher entre três opções de coisas. Depois de estudar com critérios judiciosos, escolheu as mais mais em conta, e foi contar para o seu chefe, para saber se ele podia fazer isso. Então, ele lhe perguntou: “Por que você escolheu este tipo?” Ele respondeu: Porque se deve escolher o que for mais em conta para as finanças do país. “Não”, respondeu o chefe: “Você deve escolher a que der mais dinheiro para o seu bolso.” E o jovem respondeu: “Mas, eu vim atuar na Política para o bem da Nação.” “Mas, eu faço política para roubar.”, disse o chefe. Eis um exemplo no campo da Política, mas isto não se dá apenas no âmbito da Política. Isto se dá em todas as áreas da vida, inclusive no Vaticano, existem casos de corrupção.

* A corrupção é algo que corrói, desde dentro. É como açúcar: é doce, a gente vai gostando, vai gostando, até se dar mal: açúcar demais dá diabetes. Toda vez que a gente aceita uma propina e a põe no bolso, a gente destrói o coração, destrói a personalidade, destrói o país. Por favor, não adquiram esse gosto pelo “açúcar”, ou seja, pela corrupção. Como em tudo o que não presta, deve-se dar um basta, se vocês não quiserem a corrupção em suas vidas, em seus corações e seus países, parem com isto, já! Até porque, além de tudo, a corrupção rouba nossa alegria e nossa paz.

* Um caso verdadeiro, a este respeito, vou lhes contar. Ocorreu em minha cidade natal. Morreu um homem, e todos ficamos sabendo que ele era corrupto. Poucos dias depois, perguntei: “Como foi o funeral dele?” E uma senhora com grande senso de humor respondeu: “Eles não puderam fechar direito o caixão, porque tiveram que tirar de dentro muita propina.

https://www.youtube.com/watch?v=VqotRRUQBR0
http://www.catholicnewsagency.com/news/full-text-of-pope-francis-powerful-unscripted-talk-with-kenyas-youth-72927/
Trad.: Alder Júlio Ferreira Calado