Reichstul: um homem, várias ruínas
Renato Kress

 Sempre fico triste quando as minhas figurinhas carimbadas e bodes expiatórios desaparecem. Mesmo quando o PC foi dessa pra uma pior, eu fiquei meio cabisbaixo por uns tempos. Sabe como é, como toda queima de arquivo, ele podia dizer coisas interessantes e divertidas sobre figuras igualmente interessantes e "divertidas" da nossa política tupiniquim.

  Um dos que tinha fugido completamente às minhas vistas, me valendo quatro dias de profunda depressão entre Skol Beats no cais do porto no Rio, foi o ex-presidente da Petrobrás Henri Philippe Reichstul e qual não foi minha surpresa quando, abrindo uma Carta Capital eu encontro elezinho assim, casmurro, meditabundo, emsimesmado, fiquei até com pena e resolvi ler a matéria. Na Petrobrás nós sabemos, ele foi contratado para gerar acidentes em série e sucatear a empresa, desacreditando publicamente sua capacidade de gerir o petróleo nacional ou mesmo de deter o monopólio sobre esse bem mineral nacional. E vejam, ele conseguiu! O monopólio do petróleo foi quebrado, seus vínculos com o Greenpeace foram desfeitos – os ativistas ecológicos se tornaram inimigos públicos da empresa – e ele pulou para onde? Antes de responder a essa curiosidade de todos nós sobre nosso querido Reich (notaram o problema do nome?) vamos verificar os passos dele.

  O financista, sim, nosso "caro amigo" é portador de uma dessas profissões com nomes bonitos que não explicam patavina sobre do que se tratam, passou na presidência da Petrobrás usando as empresas Globo como chamariz para a sua grande competência na arte da destruição. Até aí se pode pensar: "É, realmente o Henri é um cara habilidoso, conseguiu mesmo pôr abaixo uma instituição séria e sólida, responsável direta pela soberania nacional”. Mas que nada! Reich (adoro chamar ele assim) conseguiu enganar até mesmo Deus (nós sabemos, Roberto Marinho) que acreditou que ele era mesmo um caso raro de pura competência e o contratou para criar o holding Globo S.A.

  Mal sabia Ele (Roberto Marinho, Deus) que na verdade o grande talento de Reichstul era a sua constante e tremenda urucubaca. A capacidade que ele tem de fazer dar errado tudo em que ele põe a mão. No caso da Petrobrás, um viva, era exatamente o que a Exxon e outras empresas do petróleo que financiaram ele queriam. Mas no caso da Globo, bem, não creio que Roberto Marinho tenha tendências masoquistas. Era para o negócio dar certo. Nas agourentas mãos de Reichstul, foi tudo por água abaixo. "...a demora em encontrar investidores que garantissem o sucesso da abertura de capital fez Reichstul perder crédito junto a Roberto Irineu”. Também o crédito da empresa Globopar, empresa das organizações Globo da qual Reichstul foi afastado da presidência, já havia caído junto aos mercados internacionais pela avaliação de uma empresa especializada em analisar o risco das ações de outras empresas, a Moody's, que colocou as ações da Globopar de b1 para b3 "por causa do desempenho ruim da TV Globo em 2001".

  Mas nem tudo está perdido, lembrem-se "Deus é brasileiro", e não ia largar a gente na mão assim sem mais nem menos, Reichstul não foi demitido, foi apenas "relocado" para outro posto das organizações Globo, de onde, na surdina, ainda poderá continuar a nos dar enormes alegrias pela nossa vida afora.
  Obrigado Reichstul, continue fazendo merda (e trabalhando para a Globo).


Consciência.Net