“Onde vivem os monstros?” Tem um em cada um de nós.

Lembra quando você era criança e tudo parecia maior e definitivo, as brigas rompiam amizades dia sim dia não, seus ímpetos e impulsos não eram dotados de controle e pedir desculpas era uma tarefa muito difícil?

O filme de Spike Jonze entende a complexidade envolvida nesse momento e a traduz de forma inteligente e delicada, abarcando a seriedade e até o lado sombrio / sinistro da infância.

Max, um menino no auge de seus 10 anos de idade, foge de casa depois de uma discussão com sua mãe e se acha num dos universos de sua imaginação. Através deste parêntesis vivido por ele, pode se colocar de fora e aprender sobre si mesmo. Neste processo, nós, espectadores, nos lembramos e descobrimos um pouco mais sobre nós.

Retirado de http://neoundertown.wordpress.com/2009/08/24/where-the-wild-things-are/

Retirado de http://neoundertown.wordpress.com/2009/08/24/where-the-wild-things-are/

Diferente de muitos filmes direcionados ao público jovem, este não trata as crianças como idiotas, incapazes de tirar conclusões por si próprios. Ao contrário, nos oferece situações complexas e duras de se lidar e sentimentos com os quais nos debatemos a vida toda.

O diretor consegue criar um mundo infantil que não é nem idealizado nem extirpado de suas contraditoriedades. Ele entende a mente da criança e constrói em torno disso, dando as proporções necessárias às emoções e sem tentar passar mensagens ou valores morais. O filme não tenta decifrar, tratar psicologicamente ou resolver esse difícil período vivido por quase todos nós. Em vez disso, o deixa à vista, expondo-o e tratando-o com respeito.

Não li a história que deu origem, mas estou morrendo de curiosidade. Os personagens estão ótimos, visualmente e em questão de personalidade. Os efeitos especiais são incríveis e toda a fotografia é linda.

A trilha sonora é outro ponto forte. Com suas melodias que mesclam momentos de melancolia e outros que gritam aventura.

Há detalhes demais que mereceriam ser mencionados, como a cena de abertura, a mudança de humor repentina na seqüência do iglu, a guerra de lama, etc. Mas prefiro deixar para cada um a experiência de desvendá-los.

Em suma, é muito bom assistir um filme despretensioso, que consegue reinventar nossa maneira de ver o mundo e nos deslumbrar enquanto isso. Definitivamente recomendado para todas as idades.