O sentido

Uma tarde como ésta, por motivos que não vem ao caso ou, ao contrário, talvez fosse o caso de os enunciar, andava eu a me perguntar pelo que deveria fazer. Como tantas outras vezes, esta pergunta me remetia ao sentido da minha existência.

Andando pela sala a perambular, veio-me de procurar um pequeno livro escrito pela minha mãe, Gita Lazarte (1). Abro o livro e leio um escrito intitulado, não por acaso, “¿El sentido o lo sentido?”. Não faria sentido uma tradução ao português, uma vez que o sentido e o sentido são uma só e a mesma coisa. Mas não o são em espanhol.

Em todo caso, para que os leitores e as leitoras não fiquem sem saber do que se trata, tentarei dizer o que achei neste breve mas tão acertado escrito da minha mãe. Diz ela que geralmente quando nos perguntamos pelo sentido, como era o caso de eu estar a me perguntar esta tarde, o que esperamos, é uma resposta que alguém tenha encontrado antes de nós, uma resposta sobre tudo racional.

No entanto, ela muito sabiamente, nos sugere que prestemos atenção aos nossos próprios passos, que tentemos perceber o que eles estão a nos dizer. Escutar com o coração. Escutar o próprio sentir no ritmo da vida, no seu próprio movimento. Assim irá aparecer “o sentido” na sinfonia única e original da nossa vida tecida com “o sentido”.

No mesmo instante em que li estas palavras, tive a plena certeza de que era isto o que eu estava a procurar. Não uma resposta feita, dada por alguém, mas algo que viesse do eco do meu próprio caminhar.

(1) Gita Lazarte, Caminando hacia el Ser

Foto: óleo sobre tela do autor