O que é isto?

fotoO país do futebol se prepara para a Copa do mundo, e grupos que se apresentam como defensores dos direitos humanos e sociais, agem em sentido contrário: na Copa vai ter luta, ameaçam. Não poderia deixar de dizer algumas palavras a respeito desta atitude que me parece como mínimo, oportunista. E, como máximo, antidemocrática. Vou dizer por que.

A partir das manifestações de junho de 2013, ficou claro que, no meio às justas reivindicações dos estudantes e de outros segmentos sociais, havia e há elementos agindo em direção contrária à ordem democrática. Setores “radicais”, digamos por enquanto, sabendo que por trás do radicalismo aparentemente de esquerda, há convergências perigosíssimas com o fascismo, a defesa da ditadura, e de uma ordem militarizada.

Sobrevivente que sou de uma das mais atrozes ditaduras que assolou a humanidade, a ditadura cívico-militar que se abateu sobre a Argentina entre 1976 e 1983, não poderia ficar calado diante do que me parece estar sendo um repeteco do que já me tocou viver. Grupos radicais tinha na Argentina dos anos 1960 e 1970.

Hoje me pergunto, com a autoridade que a história vivida me dá: a quem serviam esses grupos radicais, que não queriam democracia nem eleições, e apelavam para os sequestros, os atentados, a provocação? Esses grupos radicais estavam infiltrados pela inteligência militar, a mesma que deu o golpe de 1976, com o apoio de uma ampla massa da cidadania, farta do que chamavam de “desordem, caos” etc.

Qualquer semelhança com a situação atual do Brasil não é mera coincidência. Os programas sociais do PT e, em geral, a democratização da sociedade brasileira que se processa a partir dos governos do presidente Lula, geraram um descontentamento em setores das classes dominantes e também de uma classe média fortemente antidemocrática, no sentido de avessa à partilha dos bens comuns, favorável à exclusão social, que não viu e nem vê com bons olhos tanta gente da base social nas universidades, deixando o emprego doméstico e se profissionalizando, em fim, virando gente de verdade.

Neste contexto, cabe lembrar que os que hoje prometem luta na Copa, embora usem bandeiras sociais como a justiça e os direitos humanos, não parecem ter nenhum respeito por uma nem pelos outros. O clima de medo que criam com os ataques à propriedade privada, apenas contribuem a criar na mentalidade das pessoas, a associação, tão querida pelos fascistas e pelos defensores das ditaduras, entre protesto social e criminalidade. A quem interessa isto?

Aonde estarão estes “radicais anti-Copa” se o caos for instalado? Esse filme eu já vi e não quero ver mais. Estarão se munindo de passaportes e bolsas de organismos internacionais e fugindo para bem longe do Brasil, enquanto para quem fica, restará o que conheço demasiado bem: perseguições, medo, tortura, desaparecimentos. Nunca mais, nunca mais, nunca mais, em nome de nada!