O preço da vida

É verdadeiramente lamentabilíssimo que o espectador brasileiro seja obrigado a assistir deturpações da realidade tão grotescas quanto a apresentada ontem à noite por um jornal televisivo cujo nome é melhor não declarar. A matéria era sobre os índios pataxós da Bahia, que vem sendo assassinados por pistoleiros a serviço dos latifundiários, com frequência e intensidade, diante da omissão ou cumplicidade do aparelho policial e judiciário, como é de conhecimento do público.

Mas o que a matéria dizia era o contrário: eram os índios que invadiam as propriedades dos produtores rurais. A gente sabe que o dinheiro compra tudo. Os índios pataxós vem sendo alvo de uma campanha de mentiras difundidas por essa mesma empresa televisiva, que obviamente está a serviço dos grandes proprietários rurais, nesta matéria apresentados como as vítimas da ira dos índios.

Uma figura do sindicato de proprietários rurais reclamava não ter sido ouvido, diante da demarcação de terras indígenas que, segundo eles, foi muito além do justo. Cabe nos perguntarmos o que é que pode ser justo em se tratando de demarcação de terras indígenas, quando é sabido que a terra é dos índios, que vem sendo expulsos sistematicamente do lugar que lhes pertence, empurrados para as periferias urbanas, quando não simplesmente mortos pela pistolagem a serviço do latifúndio.

Hoje me perguntava se os jornalistas não tem consciência. Se o patrão impõe a difusão da mentira para acobertar o crime, e eles simplesmente obedecem. Não há um código de ética jornalística? E a empresa que acoberta a matança de índios, os apresentando como pistoleiros, não tem regras a obedecer? Ou o mercado pode mais, o dinheiro pode tudo? Quanto vale uma vida humana? Para mim, a vida é tudo. A vida não tem preço. É um dom de Deus, e deve ser respeitada a todo custo.

Terrível, Rolando, a forma como a imprensa formal/venal deturpa os fatos para manipular pessoas, em massa!
Que bom que a internet propicie espaços como este, que dá voz a pessoas como você.
Abrs

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