O lucro ou as pessoas?

Imagem: reprodução

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A apresentadora diz quem são os culpados, a partir de imagens de helicóptero e sem qualquer informação: “Você vê ali pontos de fogo, várias chamas, que certamente vem desse protesto dos moradores”.

Não é um ser humano, é o “corpo do Douglas, dançarino do programa Esquenta da TV Globo”.

“Ele tinha passagens pela polícia”, diz o “especialista”, que “lembra” que os “fatos” pedem “ações mais enérgicas por parte do Governo do Estado”. [http://glo.bo/1ppothj]

Onde fica essa comunidade? Na favela, e não no asfalto, é bom separar logo, conforme declara a apresentadora: “A questão é que o Pavão-Pavãozinho, uma das entradas dessa comunidade fica em Copacabana”.

O projeto do secretário Mariano Beltrame, explica a apresentadora, “estava indo muito bem”, “a contento”, até que “esses marginais” deixaram os moradores “reféns”, completa o especialista.

Qual é o maior problema de todos, pergunta a inteligente apresentadora ao astuto especialista? “O complexo do Cantagalo-Pavão-Pavãozinho está muito próximo do maior complexo hoteleiro da cidade, onde estão os hotéis que vão atender os turistas pra Copa do Mundo”. [saiba por que isso é importante: http://bit.ly/1ppo9iN]

A apresentadora, que há alguns minutos tinha anunciado um tiroteio: “É justamente essa questão que preocupa, né, porque isso é sem dúvida uma ação que repercute internacionalmente e que, num momento como esse, gera mais insegurança, quando a gente sabe que a gente está, aí, às vésperas da Copa do Mundo”.

Conforme questiona Noam Chosmky: o lucro ou as pessoas?

O lucro! grita a apresentadora. Isso mesmo, o lucro! repete o especialista.

Tem gente que chama isso de jornalismo.

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A ação desastrosa da Polícia Militar hoje em Copacabana nos insta a parar de chamá-la de “despreparada”. Ela está preparada (e muito bem) para enxergar o “outro” como inimigo inequívoco.

E quem é o outro? Fruto da imaginação coletiva de pelo menos 400 anos de história.

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Pare de estudar História e vamos olhar para o futuro, me aconselham alguns.

Eu não estudo História — ela está por toda parte. E o nosso futuro, inclusive, acorrentado a ela.