Novo relatório do Painel do Clima da ONU terá 25 brasileiros

Afra Balazina, Andrea Vialli e Karina Ninni, Especial Para o Estado – O Estado de S.Paulo

Vinte e cinco cientistas brasileiros foram anunciados ontem como autores do próximo relatório do Painel do Clima da ONU (IPCC). No total, haverá cerca de 830 pesquisadores de todo o mundo trabalhando no documento.

“É um número estupendo de cientistas do País. Um reconhecimento ao trabalho dos pesquisadores brasileiros em mudanças globais”, comemora Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), que integra o grupo. O IPCC recebeu 3 mil indicações de cientistas. A ex-secretária nacional de Mudanças Climáticas Suzana Kahn, também escolhida pelo IPCC, afirma que, dos 25 brasileiros anunciados, 20 fazem parte do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

A ONU ressaltou que quase um terço dos autores vem de países em desenvolvimento e o grupo atual tem maior quantidade de mulheres autoras (elas são 25% do total). Mais de 60% dos cientistas nunca trabalharam antes com o painel.

O IPCC, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007, foi criticado por falhas em seu relatório anterior. Por isso, uma revisão crítica do trabalho está em andamento. O novo relatório será divulgado entre 2013 e 2014. O painel brasileiro pretende terminar seu trabalho antes disso para poder contribuir com o documento.

TRÊS PERGUNTAS PARA Fábio Pitaluga
Principal negociador do Brasil na Comissão Internacional da Baleia

1. As negociações sobre a substituição da moratória da caça de baleias por um sistema de abate controlado falharam e serão suspensas por um ano. Por que as negociações não tiveram êxito?

Da parte do Grupo de Buenos Aires, que reúne 12 países da América Latina, incluindo o Brasil, achamos que havia falta de equilíbrio entre o que estava sendo demandado dos conservacionistas – ou seja, a concordância com a concessão de mais dez anos de caça às baleias para Japão, Noruega e Islândia, entre outras – e as promessas feitas por essas nações. Quer dizer: estavam nos pedindo para ceder em troca de promessas futuras cujo cumprimento ninguém garantia.

O documento que estava na mesa agora não especificava o que aconteceria depois desses dez anos.

2. As notícias de que o Japão comprou votos de alguns países insulares e africanos foi comentada em Agadir?

Dentro da plenária, logicamente não. Mas nos corredores, sim.

3. A proposta de criação de um Santuário Baleeiro do Atlântico Sul foi discutida?

A proposta fazia parte de um pacote. Na verdade, estava no texto desse documento sobre o qual não houve consenso. Se ele tivesse sido aprovado, o santuário teria sido também.

AQUECIMENTO GLOBAL: SP regulamenta lei de mudanças climáticas
O governo de São Paulo assina hoje, no Palácio dos Bandeirantes, decreto que regulamenta a Política Estadual de Mudanças Climáticas. Sancionada em 2009, a Lei n.º 13.798 traz a meta de reduzir 20% das emissões dos gases de efeito estufa até 2020, com base nos dados de 2005.