Nordestinação

Composição de Daudeth Bandeira e instrumentação de Chagas Fernandes

É relativamente comum, entre Poetas e Repentistas nordestinos, a expressão de uma ponta de orgulho por sua região. A reverência à terra natal é atitude corrente, não exclusiva dos Nordestinos e Nordestinas.

Um rápido passeio pela produção de Poetas e Repentistas é suficiente para se dar conta da profundidade do sentimento pela “terrinha”. No caso do Nordeste, isto é patente: desde o Maranhão à Bahia. Aqui se cultivam terras e gentes, com todo o ardor.

Sentimento ainda mais aguçado, diante de situações de menosprezo ou de discriminação ao povo ou à terra nordestina.

Nas estrofes aqui recolhidas, deleitamo-nos com a excelência da poesia produzida e musicada por seus respectivos autores. Quanto à letra, trata-se de uma peça antológica, não apenas quanto às ricas imagens utilizadas, mas também no que concerne à erudição do autor, na composição da mesma. Traço até mais visível em umas estrofes do que em outras. São nove estrofes, das quais – em homenagem à Gente e à terra da Paraíba, onde moramos – nos limitamos a uma delas.

A estrofe recolhida cuida de descrever as excelências da terra paraibana, tomando (como sucede, aliás, em relação às demais estrofes do Poema) a capital como referência privilegiada. A partir daí busca  destacar os pontos que considera mais representativos ou pitorescos do Estado, e mais especialmente da capital: acidentes geográficos relevantes, paisagens, monumentos, figuras célebres (em relação à escolha do Autor ou de outrem, não tem que haver necessariamente concordância). Eis o que nos relata e destaca a estrofe escolhida:

 

“Esmerada cidade de João Pessoa

De Américo, de Alcides, de Zé Lins

Entre as árvores frondosas dos jardins

Um poema de Augusto ainda ecoa

Nas robustas palmeiras da Lagoa

Dão a ti elegância tropical

O teu busto na área litoral

Se arrepia de amor, ouvindo o cântico

Entoado nas ondas do Atlântico

Sua grande presença oriental”

 

No que tange aos traços formais da estrofe escolhida, não há novidade à vista. O estilo escolhido foi, uma vez mais, o “Martelo agalopado”.

In: Florilégio de estrofes da poesia sertaneja (seleção e análise de estrofes de Poetas e repentistas do Nordeste) João Pessoa: Edições Buscas, 2009