Movimento de resistência pacífica a Gaza continua

Movimento de resistência pacífica a Gaza continua. Foto: AP/Niall Carson.

Cadeiras de rodas, suprimentos médicos e cimento. Este era o conteúdo de 1.200 toneladas do navio irlandês “Rachel Corrie”, que Israel barrou hoje (sábado 5) por meio do bloqueio ilegal a Gaza. Diferente do que ocorreu com a última flotilha, atacada subitamente com força militar – matando pelo menos 9 pessoas –, não houve confronto e a embarcação foi desviada para o porto israelense de Ashdod, ao norte da faixa palestina.

Mairead Corrigan-Maguire, irlandesa ganhadora do Nobel da PazMairead Corrigan-Maguire, irlandesa ganhadora do Nobel da Paz que está no navio, e um ex-Subsecretário-geral das Nações Unidas, o também irlandês Denis Halliday, estão entre os ativistas a bordo. Em entrevista à Associated Press, Mairead disse que a orientação era a de pressionar, mas sem oferecer resistência às forças israelense caso o barco seja abordado. Ela declarou que os ativistas não tinham “nenhuma intenção de parar em Israel” e seguiriam rumo a Gaza. Halliday era coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas no Iraque e, após 30 anos de serviços prestados à Organização, se recusou a continuar no cargo por classificar as sanções econômicas impostas ao Iraque pelo Conselho de Segurança da ONU como “genocidas” (saiba mais sobre Halliday ao final).

Nesta sexta-feira (04), a Casa Branca qualificou como “insustentável” o bloqueio israelense ao território palestino. Na mesma declaração, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional de Washington, Mike Hammer, pediu aos ativistas pró-palestinos que desviassem o navio a um porto de Israel para evitar mais violência. “As disposições atuais são insustentáveis e devem ser modificadas. Por ora, pedimos a todos os envolvidos que se unam na tomada de decisões responsáveis para evitar confrontos desnecessários”, afirmou Hammer.

Segundo a Agência Estado, o Rachel Corrie leva 15 pessoas de origem irlandesa e malaia. “Saímos para entregar essa carga a população de Gaza e é isso que vamos fazer, rompendo o bloqueio. Não temos medo”, disse Mairead, de 66 anos. “Indiquei ao diretor-geral da chancelaria irlandesa que esse barco não poderá entrar em Gaza sem ser previamente inspecionado”, disse o chanceler Lieberman ontem à noite à TV estatal israelense. Mairead afirmou que os ativistas não admitem a possibilidade de a revista ser feita por israelenses. Mas, segundo o chanceler irlandês, Michael Martin, os manifestantes estão analisando se aceitariam que uma organização internacional vistoriasse a carga.

O governo da Malásia emitiu nota hoje (05) exigindo que Israel garanta a segurança da tripulação do navio. “A Malásia exige que Israel não tome nenhuma ação drástica e de violência militar contra os passageiros desarmados do navio Rachel Corrie. A Malásia também pede que Israel garanta uma passagem segura do cargueiro a Gaza para entregar a ajuda humanitária”, disse o comunicado, divulgado pelo movimento Libertem Gaza (Free Gaza). Segundo o Ministério das Relações Exteriores do país, seis malaios estão a bordo do navio.

O bloqueio naval da Faixa de Gaza é mantido por Israel desde 2007 para supostamente “evitar que o Hamas, facção palestina que controla o território de 1,5 milhão de habitantes, receba armas e munição”. As Nações Unidas e mais de uma centena de países condenam o bloqueio, considerado por cortes internacionais como ilegal e prejudicial ao povo palestino.


(Imagens da GloboNews)

Ex-coordenador da ONU no Iraque está entre os passageiros

Denis Halliday, ex-chefe da missão humanitária da ONU no IraqueEx-chefe da missão humanitária da ONU no Iraque, Denis Halliday recebeu em 2003 o Gandhi International Peace Award, em reconhecimento ao seu trabalho de chamar a atenção para a situação dos iraquianos. Foi um dos principais críticos das sanções contra o Iraque.

Não é por menos. Como Assistente do Secretário-Geral da ONU no país na década de 90, Halliday testemunhou em primeira mão a devastação que as sanções foram espalhando pelo país e em seu povo. Em 1998, ele deixou o cargo em protesto. Em uma entrevista ao jornal de Cairo (Egito) Al-Ahram, em julho de 2000, Halliday falou sobre “os 10 anos de guerra genocida contra o Iraque e as táticas medievais usadas em um perigoso jogo arquitetado por Washington”.

Em 2009, Halliday decidiu tornar-se patrona da Fundação Gandhi e concedeu o prêmio anual de paz para o Children’s Legal Centre. No dia 25 de outubro de 2007, Halliday, Harold Pinter e John Pilger foram destaque no jornal Daily Telegraph, condenando a “celebração do legado [ex-primeiro-ministro britânico] David Lloyd George” (após a inauguração de uma estátua em Westminster, em sua honra) como “uma vergonha”, ligando sua política de bombardeio aéreo a países do Oriente Médio com a guerra atual no Iraque.

Desde que deixou as Nações Unidas, Denis Halliday se envolveu com uma série de iniciativas de paz. Atualmente, Halliday integra o navio irlandês MV Rachel Corrie. Em um comunicado divulgado pela Campanha Irlandesa de Solidariedade à Palestina, Halliday afirmou: “Queremos enfatizar que o nosso objetivo não é provocação, mas nos responsabilizar pela ajuda humanitária a Gaza. Estamos pedindo à ONU que inspecione a carga e faça nossa escolta a Gaza, bem como envie um representante das Nações Unidas para navegar a bordo antes de entrar na zona de exclusão. Todos permanecem de alma aberta [in good spirits], e queremos agradecer a todos em todo o mundo por todo o seu apoio”.

(Conheça o Jornal Fazendo Media em www.fazendomedia.com)

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