Mensagem do Papa Francisco – “Angelus Domini” de 16/11/2014

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste Domingo é a parábola dos talentos. Conta sobre um homem que, antes de partir em viagem, convoca seus servidores e lhes confia seu patrimônio, em talentos – antigas moedas de altíssimo valor. Aquele senhor confia a um, cinco talentos; ao segundo, dois, e ao terceiro, um. Durante a ausência daquele senhor, os três servidores devem fazer render aquele patrimônio.
Os dois primeiros servidores dobram, cada um, o capital de pertença. O terceiro, ao contrário, com medo de perder tudo, enterra o talento recebido. Ao retornar o senhor, os dois primeiros servidores dele recebem elogio e a recompensa, enquanto o terceiro que lhe devolve apenas a moeda recebida, é repreendido e punido.

É claro que, quanto ao significado, o homem da parábola representa Jesus. Os servidores somos nós. E os talentos correspondem ao patrimônio que o Senhor nos confia. E qual é o patrimônio? É a Sua Palavra, a Eucaristia, a fé no Pai celeste, o Seu perdão… todos os Seus bens mais preciosos. Todo esse patrimônio que Ele nos confia, não apenas para conservar, mas para fazer crescer

Enquanto, no uso comum, o termo “talento” indica uma determinada qualidade individual – por exemplo, talento na música, no esporte, etc. -, na parábola, os talentos representam os bens do Senhor nos confia, para que os façamos frutificar. O buraco cavado no terreno do mau servidor – “servo mau e preguiçoso” – indica o medo do risco que bloqueia a criatividade e a fecundidade do Amor. O medo do risco do Amor nos bloqueia. Jesus não nos pede para guardar Seu Amor numa fortaleza. Isto, Jesus não nos pede. Mas, Ele quer que nós o usemos em benefício dos outros. Todos os bens que recebemos são para que os demos aos outros. E assim, eles crescem.
É como se Ele nos dissesse: “Eis a minha misericórdia, a minha ternura, o meu perdão. Toma-os, e faze que eles se desenvolvam.
E nós, o que fizemos? O que contagiamos com nossa fé? Quantas pessoas encorajamos com nossa esperança? Quanto amor condividimos com nosso próximo? São perguntas que nos farão bem, se as fizermos para nós.

Qualquer ambiente, não importa se distante ou impraticável, pode tornar-se lugar onde se pode fazer frutificar os talentos. Não há situações hostis e tão fechadas à presença e ao testemunho cristãos. O testemunho que Jesus nos pede, não fechado, é aberto: depende de nós.

Esta parábola nos convida a não esconder nossa fé e a nossa pertença a Cristo. A não enterrar a Palavra do Evangelho, mas a fazê-la circular em nossa vida, nas relações, nas situações concretas, como força que põe em crise, que purifica, que renova. Assim, pelo perdão que o Senhor nos dá pelo Sacramento da Reconciliação, não o retenhamos só para nós mesmos, mas que se derrame a sua força,que faça cair os muros que o nosso egoísmo ergueu; que nos faça dar o primeiro passo nas relações bloqueadas; retomar o diálogo lá onde já existem comunicações, e reconciliar. Fazer com que esses talentos, esses presentes, esses dons que o Senhor nos deu, venham para os outros, cresçam e dêem fruto, com o nosso testemunho.

Creio que hoje seria um belo gesto, se cada um de vocês, em casa, tomasse o Evangelho – Evangelho de Mateus, capítulo 25, verso 14ss – e lessem, meditassem um pouco: os meus talentos, as minhas riquezas, tudo o que Deus me deu, de espiritual, de bondade, a Palavra de Deus, mas como faço, como faço que cresçam nos outros. Ou será que me limito a conservá-los numa fortaleza? E, ainda que o Senhor não nos conceda as mesmas coisas, do mesmo modo, Ele nos conhece pessoalmente, e nos confia o que é justo para nós. Mas, num ponto, Ele nos dá a mesma imensa confiança. Deus confia em nós, Deus tem esperança em nós. E isto é o mesmo para todos. Não O desiludamos! Não nos deixemos enganar pelo medo, mas paguemos confiança com confiança.

A Virgem Maria encarna esse compromisso do modo mais belo e pleno. Ela recebeu e acolheu o dom mais sublime – a Jesus em pessoa que, por sua vez, se ofereceu à humanidade, com coração generoso. Peçamo-lhe que nos ajude a ser servidores bons e fiéis, para participarmos da alegria do nosso Senhor.

http://www.youtube.com/watch?v=SuBGOZ5r8qU
Trad.: Alder Júlio Ferreira Calado (do minuto 4:03 ao minuto 11:37)

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Seções: Opinião.