Mensagem do Papa Francisco

“Angelus,” dia 8 de dezembro de 2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje estamos a celebrar a solenidade de Maria Imaculada, que se coloca no contexto do Advento, tempo de espera. Deus cumprirá o que prometeu. Mas, na festividade de hoje, se anunciou que algo já foi cumprido, na pessoa e na vida da Virgem Maria. Deste cumprimento, nós hoje consideramos o início, que é ainda anterior ao nascimento da Mãe do Senhor. De fato, sua Imaculada Conceição nos leva àquele momento preciso em que a vida de Maria começou a palpitar no ventre de sua mãe: ali já estava presente o amor santificante de Deus, preservando-a do contágio do mal que é uma herança comum da humanidade.

No Evangelho de hoje, a saudação do Anjo feita a Maria:”Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”. Deus a pensou e quis desde sempre, em seu imperscrutável desígnio, como uma criatura cheia de graça, isto é, plena de Seu Amor. Mas, para estarmos cheios, é preciso que demos espaço, que nos esvaziemos, que fiquemos à parte. Justamente como o fez Maria, que soube colocar-se na escuta da Palavra de Deus e entregar-se totalmente à Sua vontade, acolhendo-a sem reserva em sua vida. Tanto que nela a Palavra se fez Carne. Isto se tornou possível graças ao seu “sim”. Ao Anjo que lhe solicita a disponibilidade de tornar-se a Mãe de Jesus, Maria responde: “Eis aqui a serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Maria não se perde com muitos cálculos, não põe obstáculos ao Senhor, mas, prontamente, se entrega e deixa espaço à ação do Espírito Santo. Coloca, imediatamente, à disposição de Deus todo o seu ser e toda a sua história pessoal, para que sejam a Palavra e a vontade de Deus que a plasmem e a levem a termo. Assim, correspondendo perfeitamente ao Projeto de Deus sobre ela, Maria torna-se a “toda bela”, a “toda santa”, mas sem a mínima sombra de autocomplacência. É humilde. Ela é uma obra prima, mas permanece humilde, pequena, pobre. Nela se reflete a beleza de Deus que é todo Amor, graça, dono de si.

Agrada-me também sublinhar a palavra com que Maria se define, ao consagrar-se a Deus: ela se professa “a serva do Senhor”. O “sim” de Maria a Deus assume, desde o princípio, a atitude de serviço, de atenção às necessidades dos outros. Isto é testemunhando concretamente com o fato da vista a Isabel, que se dá imediatamente à Anunciação. A disponibilidade para com Deus nela se acha pela sua disponibilidade de preocupar-se com as necessidades do próximo. Tudo isto sem propaganda nem ostentação, sem buscar lugar de honra, sem publicidade, porque a caridade e as obras de misericórdia não têm necessidade de serem exibidas como um troféu. As obras de misericórdia se fazem em silêncio, no recôndito, sem que nos gabemos de fazê-las.

Também em nossas comunidades, somos chamados a seguir o exemplo de Maria, praticando seu estilo de discrição. Que a festa de nossa Mãe nos ajude a fazermos de toda a nossa vida um “sim” a Deus, um “sim” feito de adoração a Ele e de gestos cotidianos de amor e de serviço.

Trad.: AJFC
Digitação: Alberto Júlio Ferreira Calado