Mensagem do Papa Francisco

“Ângelus”, dia 21.07.2019

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

No trecho deste Domingo, o Evangelista Lucas narra a visita de Jesus à casa de Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Elas o acolhem, e Maria senta-se aos seus pés a escutá-Lo. Deixa o que estava fazendo para ficar perto de Jesus: não quer perder sequer uma de suas palavras. Tudo deve ser deixado de lado para que, quando Ele vier visitar-nos em nossa vida, Sua presença e Sua palavra venham antes de tudo. O Senhor sempre nos surpreende: quando nos pomos a escutá-Lo verdadeiramente, as nuvens se dissipam, as dúvidas cedem lugar à verdade, o medo à serenidade, e as diferentes situações da vida encontram seu justo lugar. O Senhor, sempre que vem, organiza as coisas, inclusive a nós próprios.

Nesta cena de Maria de Betânia aos pés de Jesus, São Lucas mostra a atitude orante do crente, que sabe pôr-se na presença do Mestre para escutá-Lo e pôr-se em sintonia com Ele.  Trata-se de fazer uma pausa durante o dia, de recolher-se ao silêncio, alguns minutos, para dar espaço ao Senhor que passa e encontrar coragem para permanecer um pouco à parte com Ele, para depois retornar, com serenidade e eficácia, ás coisas do cotidiano. Ao louvar o comportamento de Maria, que “escolher a melhor parte”, Jesus parece repetir a cada um de nós: “Não te deixes assoberbar pelos afazeres, mas escuta antes de tudo a voz do Senhor, para fazer bem as tarefas que a vida te indica”.

Depois, lá está a outra irmã, Marta. São Lucas diz que foi ela quem hospedou a Jesus. Talvez Marta fosse a irmã mais velha, não o sabemos, mas esta mulher, por certo, tinha o carisma da hospitalidade. De fato, enquanto Maria se põe a escutar a Jesus, ela está assoberbada de serviços. Por isto, Jesus lhe diz: “Marta, Marta, tu te assoberbas e te preocupas com coisas demais”. Com esta palavra Ele não pretende certamente condenar a atitude do serviço, mas antes com o assoberbamento com que às vezes se vive. Também nós partilhamos a preocupação de Santa Marta e, por seu exemplo, propomo-nos de fazer  com que, em nossas famílias e em nossas comunidades, se viva o sentido da acolhida, da fraternidade, para que cada um possa sentir-se em casa, especialmente os pequenos e os pobres quando batem à nossa porta.

Portanto, o Evangelho de hoje nos lembra que a sabedoria do coração está mesmo em sabermos conjugar estes dois elementos: a contemplação e a ação. Marta e Maria nos indicam o caminho. Se quisermos saborear a vida com alegria, devemos associar essas duas atitudes: de um lado, estarmos aos pés de Jesus, para ouvi-lo enquanto Ele nos revela o segredo de toda casa; por outro lado, estarmos pensativos e prontos na hospitalidade, quando ele passar e bater à nossa porta, com o rosto do amigo que tem necessidade de um momento de repouso e de fraternidade. Ele quer de nós esta hospitalidade.

Que Maria Santíssima, Mãe da Igreja, nos dê a graça de amar e servir a Deus e os irmãos com as mãos de Marta e o coração de Maria, para que permanecendo sempre na escuta de Cristo, possamos ser artesãos de paz e de esperança. E isto é interessante: com estas duas atitudes, seremos artesãos de paz e de esperança.

Trad: AJFC

Digitação: EAFC

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