Longa Sueco traz a renovação esperada para filmes de vampiro

Aproveitando a onda de filmes vampirescos e baseados em outras lendas como fantasmas, zumbis e lobisomens, e o sucesso que estes vêm arrecadando, o filme sueco, Deixe ela entrar, conseguiu entrar (desculpem-me o péssimo trocadilho) no tão fechado circuito de exibição.

Mas essa feita não foi apenas pelo tema propício. O filme merece toda a atenção e mérito.

Havia um bom tempo que não faziam bons filmes do gênero. Sou da época de Vamp, Garotos Perdidos e Dracula de Bram Stoker. Admito que nunca gostei muito de Entrevista com Vampiro…

Essa febre toda com Crepúsculo e Lua nova, convenhamos, não tem nada a ver com vampiros e lobisomens. Tem a ver sim com os valores morais da escritora mórmon que estão sendo adotados por todos os pais aspirantes de bons exemplos para educarem seus filhos, e adolescentes loucos por uma nova mania para seguir e pôsteres para comprar. Onde já se viu vampiro que brilha no sol? “Eu não posso ir para a luz do sol porque senão você vê o glitter que cobre todo meu corpo” e lobisomens que não depenhdem mais de lua cheia, seguem a tendência do Hulk, se transformando quando sentem raiva. Tudo bem tirar alguns detalhes bobos tipo medo de alho e cruz e coisa que o valha, mas retirar completamente seus elementos e características identificadores já desqualifica tais filmes como aqueles que estava mencionando.

Continuando…

“Deixe ela entrar” é um filme sobre duas crianças: um menino inteligente que adora recolher informações sobre assassinatos e estranhos eventos não resolvidos e que é constantemente provocado por três “colegas” da escola. E uma menina com um passado misterioso que se muda para o apartamento ao lado e cujo “pai” está envolvido nos últimos casos de crime na cidade.

O desenrolar da história segue ritmo muito natural. As descobertas são feitas num tempo coerente e há um temor ao redor do fato. Quase todas as questões tradicionais do mito vampiresco são abordadas de forma sutil, sem necessidade de grandes explicações e nem de vermos dentes afiados em qualquer momento. Ou seja, apesar de alguns efeitos especiais aqui e ali para darem apoio a intensidade narrativa, a situação permanece cabível na realidade local.

O trabalho de som é impressionante, desde o barulho de sangue jorrando em um balde, e o estômago da menina roncando ao momento aterrorizante da transformação, por exemplo. Há, porém, alguns artifícios sonoros desnecessários, em que uma música dramática preenche o ambiente. Um desses momentos reflexivos, dignos de câmera lenta. Mas são poucos e não o suficiente para desnivelar a narrativa.

Uma comparação com a série Twilight é passível de acontecer, por se tratar de um casal e de vampiros. Um forte diferencial é que no filme sueco acompanhamos o desenvolver da relação dos dois crescendo e conhecemos o lado monstruoso da menina, além daquele pelo qual o menino de 12 anos “se apaixona”. Além disso, as outras realidades como família, vida escolar e habitantes dessa cidade fornecem dados a mais para nosso envolvimento como espectador.

O suspense gerado é incrível. Becos escuros e o trabalho do som são dois fortes componentes nessa direção. A não explicação de certos mistérios como “de onde vêm” e “para onde vão” enriquece a trama e a curiosidade, deixando brechas para nossa imaginação.

É um filme que se constrói através de sons e imagens – uma história – e não de explicações incessantes e efeitos especiais. Certamente um dos melhores do gênero que já assisti.

Só para não ser injusta e não esquecer, um outro filme da safra atual a ser conferido é o russo “Guardiões da Noite”, já em vídeo e o mais recente de Park Chan-Wook, Sede de Sangue que tem estréia prevista para 15 de janeiro de 2010.