Imigrantes fazem manifestação em São Paulo por mais direitos

Imigrantes que vivem em São Paulo, incluindo bolivianos, peruanos, paraguaios, chilenos, haitianos, colombianos, italianos e representantes de países Africanos (Senegal e Moçambique) realizaram uma linda manifestação, no centro da cidade de São Paulo, no início da tarde deste domingo, dia 04 de dezembro de 2011, na 5ª Marcha dos Imigrantes, cujo tema foi “Por Nenhum Direito a Menos – voto já!”.

Com faixas, cartazes, bandeiras dos vários países da América Latina e a ajuda de um carro de som, entidades, associações de migrantes, ONGs, pastorais e imigrantes defenderam mudanças na Constituição Federal e no Estatuto do Estrangeiro a fim de que possam participarem da vida política, como qualquer cidadão, com direito ao voto, além das seguintes bandeiras de luta: por uma nova Lei de imigração; pela ratificação da Convenção Internacional sobre proteção dos direitos de todos os trabalhadores migrantes e seus familiares; por uma cidadania sul-americana, com livre trânsito e direito de permanência; pelo acesso ao trabalho decente e políticas de fomento a regulamentação das microempresas; pelo combate ao trabalho escravo, tráfico de pessoas; pelo acesso à justiça gratuita e às políticas públicas de educação, saúde; pelo cumprimento dos acordos políticos em matéria de migração em âmbito bilateral e multilateral; pela integração dos povos; por um mundo sem fronteiras; por uma cidadania universal; por igualdade de gênero e contra toda discriminação e xenofobia.

A caminhada partiu da Praça da República, esquina com a Rua Barão de Itapetininga, centro da capital, e seguiu rumo à praça da Sé, com músicas de protesto, danças e nas paradas houve momentos de reflexão e leitura de um manifesto na calçada do viaduto do Chá, diante do prédio da prefeitura. Centrais sindicais, como Central Única dos Trabalhadores (CUT) e UGT, enviaram seus representantes para apoiar a luta dos trabalhadores imigrantes.

“Estamos em campanha em vários locais para mostrar que o imigrante tem de sair da invisibilidade para conquistar os seus direitos. Não é só vir para o Brasil trabalhar e conquistar simplesmente um cartão de residência. Tem de buscar melhores condições de saúde, educação e o direito de voto, de cidadania completa”, disse o coordenador do Centro de Apoio ao Migrantes, Roque Pattussi. Ele afirmou que as reivindicações serão encaminhadas a representantes dos governos municipal, estadual e federal. No manifesto, os imigrantes justificaram que o momento de “crise do capitalismo e da precarização do trabalho” é oportuno para mudar o conceito da “criminalização das migrações pelo paradigma dos direitos humanos, cidadania plena e integração dos povos”.

De acordo com estimativas, há no Brasil cerca de l,5 milhão de imigrantes; desses, vivem, em São Paulo, cerca de 250 mil bolivianos, 80 mil paraguaios e 50 mil peruanos e um número menor de pessoas vindas de outras nações. O ato faz parte das comemorações alusivas ao Dia Mundial dos Imigrantes e ao 21° aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e de Suas Famílias. Também está associado ao Dia da Ação Global Contra o Racismo e Xenofobia, pelos Direitos dos Migrantes e Refugiados.

Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM / CAMI)