“Grito dos Excluídos” tem concentração às 10h no Aterro

Em sua 13a edição, Grito dos Excluídos 2007 traz o tema “Isto não Vale! Queremos Participação no Destino da Nação” para o Aterro do Flamengo nesta sexta, dia 7 de setembro. Da Coordenação do ‘Grito dos Excluídos’

Os movimentos sociais em geral, e em especial o Grito dos/as Excluídos/as, estão vivendo um processo de articulação que vem se aprofundando nos últimos anos. A partir da primeira Semana Social Brasileira, iniciada em 1991, são dados muitos passos em conjuntos. Não é a toa que chegou-se a realizar a 1ª Assembléia Popular Nacional no ano de 2005. Antecederam a ela as Semanas Sociais, o surgimento do Grito, a Campanha Jubileu Brasil e os Plebiscitos da Dívida e da Alca.

A realização da Assembléia Popular em 2005 foi fruto não só do desejo de superar as divisões e os protagonismos, às vezes exacerbados, mas também de uma vontade política de juntos construirmos um outro projeto, um Projeto Popular para o Brasil; vontade sintetizada na frase: O Brasil que Nós Queremos.

Neste ano, temos pela frente um grande desafio. Mais uma vez nos propomos realizar de forma conjunta e articulada um outro plebiscito: desta vez, pela anulação do leilão da Companhia Vale do Rio Doce.

Razões para isto temos muitas: trata-se de um patrimônio do povo brasileiro que foi de forma fraudulenta passado para as mãos da elite que está enriquecendo às nossas custas. Temos inclusive respaldo jurídico, já que uma juíza deu parecer dizendo que a avaliação do valor da companhia para a realização do leilão não valeu.

O Grito dos/as Excluídos/as deste ano tem como lema: “Isto não Vale: Queremos Participação no Destino da Nação”. Este sugestivo lema nos leva a refletir como Grito, o que vale e o que tem valor e o que não vale, o que não tem valor para a construção do projeto popular para o Brasil.

Com certeza não vale o neoliberalismo que continua concentrando riqueza e poder nas mãos de uma pequena elite; não vale a atual política econômica que de um lado dá toda a garantia ao capital financeiro e ao pagamento das dívidas; por outro lado não apresenta nenhuma alternativa para milhões de jovens sem emprego e sem perspectivas de futuro; não realiza a reforma agrária tão necessária e obriga a milhões de brasileiros a emigrarem para outros países em busca de oportunidades de trabalho.

Enfim, não vale a crescente exclusão social, a fome a privatização do público em benefício de uma pequena minoria, em detrimento do povo brasileiro. Não vale este modelo econômico que não resolve nossos problemas, não vale a corrupção, a impunidade, a guerra, a violência, as ocupações militares como no Iraque e no Haiti. Mas o que é então que vale? O que é que tem valor?

Na perspectiva e na continuidade dos últimos gritos, vale é o protagonismo popular, valem os grupos de base que discutem os seus problemas e de forma articulada buscam as soluções. Só com o protagonismo do povo é que podemos de fato fazer acontecer mudanças, como dizíamos: “mudanças pra valer, o povo faz acontecer”. Tem valor a generosidade, a confiança, a solidariedade, a ética, a transparência, a amizade, partilha, a alegria, enfim o que vale é a dignidade da vida.

Neste sentido, os movimentos e pastorais sociais, entidades e pessoas estamos desafiados a construir um novo processo pedagógico, apaixonante e envolvente, o Plebiscito Popular pela Anulação do Leilão da Vale. Neste processo queremos rediscutir as privatizações e também a redução das taxas de energia e fazer as lutas do dia a dia. Não nos faltam capacidade, vontade e clareza política sobre o que queremos.

Enfrentar o desafio que temos pela frente significa realizar a formação, organizar pequenos grupos na base, realizar assembléias locais e municipais, enfim construir de forma pedagógica um caminho onde o povo seja o sujeito principal que debate os problemas, planeja ações, age de forma articulada e avalia suas práticas. Mãos à obra, portanto!

Coordenação do Grito

Isto não Vale! Queremos Participação no Destino da Nação.

Objetivo Geral
O Grito dos/as Excluídos/as tem como objetivo geral:

  • Denunciar todas as formas de exclusão e as causas profundas que levam o povo a viver em condições de vida precárias e muitas vezes sem perspectivas de futuro;
  • Desmascarar a atual política econômica dependente que privilegia o capital financeiro, o pagamento da dívida e o superávit primário;
  • Construir alternativas dos/as excluídos/as que tragam esperanças e perspectivas de vida para o povo.

Objetivos Específicos

  • Lutar por uma política econômica que respeite os direitos políticos, sociais, culturais e ambientais do povo brasileiro;
  • Apoiar todas as formas de luta contra as Dívidas e o imperialismo, como os Tratados de livre comércio e a militarização;
  • Construir relações de gênero, raça/etnia, que respeite a igualdade de direitos, a reciprocidade, a pluralidade, e valorize as diferenças;
  • Ser um espaço que possibilite fazer ouvir os Gritos do dia a dia do povo, em defesa da dignidade da vida;
  • Lutar em defesa da Amazônia e dos demais biomas, do solo, das águas e do Rio São Francisco, porque a natureza não suporta este padrão de consumo.

Eixos

Democracia Direta e Participativa: a verdadeira democracia abre possibilidades em todas as dimensões da vida do povo. Além de votar, queremos participar também das decisões econômicas e poder decidir sobre o que fazer dos bens e recursos do nosso país.

Controle Social: Já conquistamos alguns mecanismos para controle do Estado e demais instâncias públicas de poder. Entretanto, é preciso que aprendamos coletivamente como exercer o controle, como funciona o ciclo orçamentário e a quem são distribuídos os recursos públicos. Precisamos também, criar novos espaços de participação direta.

Soberania Nacional: A soberania acontece e se concretiza quando todo o povo vai se esclarecendo e compreendendo quais os rumos que o Pais deve tomar! Não temos soberania enquanto ficamos submissos ao capital financeiro internacional, gerando superávit primário altíssimo! Não temos soberania, enquanto não fazemos auditoria da dívida! Construímos soberania, quando fazemos trabalho de formação nas bases e nos organizamos para influir nas decisões nacionais.

Projeto Popular – Poder Popular!
Nos últimos anos caminhamos construindo as bases para “O Brasil que queremos”. O modelo de desenvolvimento que está sendo realizado no País não é sustentável e não responde aos problemas enfrentados pela sociedade, precisamos nos organizar e garantir cidadania.

Ouvir os gritos: O povo fala e grita o tempo todo. É preciso estar sensível e atento, para continuar ouvindo os clamores do Povo! O trabalho de base é um compromisso fundamental! Não podemos fugir dele!

Mística, Esperança e Utopias! Precisamos alimentar a nossa esperança, pois cremos na força e organização das/os Excluídas/os. Com o povo organizado queremos construir saídas viáveis para uma vida digna para todos/as e para uma nação livre e soberana! Esta é nossa utopia, que nos empurra para frente, mesmo quando as vitórias são pequenas! A memória histórica e os sonhos nos levam a abrir sempre novos caminhos!

Integração Regional: A América Latina está passando por um momento especial! Se por um lado as conquistas não são as esperadas, temos esperança que neste momento podemos dar passos concretos para uma integração regional baseada na solidariedade latino-americana e não na exploração de uma nação sobre a outra. A construção de um Projeto Popular para o Brasil sairá fortalecido também, se conseguirmos uma integração latino-americana, em outros moldes.

Comunicação: Este é um campo ainda pouco ocupado pela sociedade civil organizada. Precisamos lutar pela descentralização e pelo controle dos meios de comunicação social, exigindo que cumpram sua função social e estimulando a criação e o uso de mídias alternativas.

O QUE VALE

  • Democracia direta com a participação popular no destino da Nação;
  • Economia a serviço da vida humana, solidária e que respeite o meio ambiente e a biodiversidade;
  • Reforma Agrária com incentivo a agricultura familiar e a regularização fundiária das comunidades tradicionais, garantindo soberania alimentar para o País;
  • Uma nova cultura do trabalho como fonte da realização da pessoa humana;
  • Incentivo aos pequenos projetos hídricos como por exemplo as cisternas;
  • Reforma urbana profunda que ofereça moradia digna para todos e todas;
  • Valorizar o patrimônio cultural afirmando a importância da arte e da cultura popular nas suas diversas expressões;
  • Valorização na relação de gênero e o respeito a diversidade.

O QUE NÃO VALE

  • A corrupção e o mau uso dos recursos públicos;
  • Os grandes projetos hídricos que beneficiam as grandes empresas;
  • A redução da idade penal;
  • As reformas neoliberais que prejudicam e retiram direitos dos trabalhadores/as;
  • A corrupção e a impunidade;
  • A concentração de terra, renda e dos meios de comunicação;
  • As privatizações, o pagamento da divida externa e a ALCA;
  • A política econômica vigente no País;
  • Exploração infantil e o trabalho escravo e o trafico de seres humanos;
  • O fechamento de fronteiras para os migrantes.

Saiba mais em http://gritodosexcluidos.com.br/

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