Greve dos garis: Eduardo Paes e sindicato são do mesmo grupo político; em vídeo, categoria denuncia intimidação

Garis protestam na Cinelândia, no Rio. Crédito da foto: Mídia Ninja.

Garis protestam na Cinelândia, no Rio. Crédito da foto: Mídia Ninja.

É facilmente observável nas redes sociais – e a foto acima expõe isso de maneira ímpar – milhares de manifestações apoiam a intensa mobilização dos garis no Rio de Janeiro.

Como se fosse uma avestruz, o presidente da companhia de limpeza urbana da cidade (Comlurb), Vinícius Roriz, afirmou na TV: “No nosso entendimento, esta greve está acabada. O que vemos são grupos que discordam. A gente não pode chamar de greve porque não foi delegada pelo sindicato”.

Curiosamente, a mesma falta de sensibilidade fez com que Roriz pedisse para as pessoas guardassem lixo em casa. “Se a pessoa tem condições de guardar o lixo em casa, que o faça. Se não tiver jeito, tente acomodar de uma forma boa, num saco plástico bem fechado.”

Os garis estão em greve desde o sábado de Carnaval, no primeiro dia de março, e enfrentaram o sindicato, conforme noticiado por esta Gazeta de Notícias.

Como uma maneira de tentar esconder os problemas da cidade, a menos de 100 dias para o inicio da Copa do Mundo, Roriz admitiu que a Zona Sul – a área mais rica do Rio – “está praticamente normal”, acrescentando que “a situação mais complicada é na Zona Norte e na Zona Oeste”.

O humorista Rafucko divulgou nesta sexta-feira (7) uma análise de dois telejornais da Rede Globo – RJTV e Jornal Nacional – expondo a manipulação política da emissora contra a justa reivindicação da categoria de trabalhadores.

Análise de Rafucko

Análise de Rafucko

“É impressionante o tempo dedicado a ouvir o personagem mais importante nessa história: os próprios garis! Quando estiver nas ruas, pergunte você mesmo a um gari o que ele está achando da situação toda”, disse ele, que também gravou um vídeo executando sua proposta.

Segundo muitos dos garis ouvidos pela mídia independente, a adesão à greve – contra o sindicato pelego – é enorme. A Prefeitura está intimidando ilegalmente os trabalhadores, conforme denunciou o vídeo acima, gravado pelo Rafucko. As Organizações Globo e a Prefeitura do Rio trabalham juntas para pôr fim à greve.

Um dos membros da comissão de negociação também falou:

Pedro Torres, no Facebook, comentou a acusação do vice-presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro de que os grevistas “fazem parte de partidos políticos” e “a greve tem motivação política”.

“Com uma pesquisa de menos de 10 minutos no Google, se descobre que um membro da atual diretoria, o 1º Tesoureiro, Manoel Martins Meireles, foi candidato pelo PTB, partido da base do atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Como se não bastasse, entre as doações recebidas pelo candidato, se destacam duas doações de R$ 10 mil, totalizando R$ 20 mil, de Luciano David de Araújo, presidente do sindicato”, disse ele (original aqui).

“Aí fica bem claro o porquê de o sindicato lutar tanto contra a própria categoria em prol do bom relacionamento com a prefeitura. Viva a greve dos garis! Abaixo o sindicato pelego!”, comentou Torres.

Quanto custa driblar uma greve?
Da Mídia Ninja

Foto: J. Élcio/Vidblog Vidigal

Foto: J. Élcio/Vidblog Vidigal

Grupos privados de vigilância e segurança começaram a acompanhar a coleta de lixo no Rio de Janeiro. A medida foi criada para intimidar e impedir que os trabalhadores deixem seus postos de trabalho e se juntem a greve.

Na foto, um carro da empresa paulista CTS foi fotografado em serviço no bairro de Copacabana, junto com uma van da Comlurb que levava uma equipe de reportagem da Prefeitura.

A Assessoria de Comunicação da Comlurb não quis comentar qual seria o valor despendido para contratar os serviços privados. A empresa CTS, no entanto, informou que o valor médio de contratação de um segurança em escolta é de R$ 110 reais por hora, sem contar os adicionais por fatores de risco.

Um segurança que escolte a coleta de um caminhão de lixo por 8 horas – tempo médio de duração de um turno – custaria pelo menos R$ 880,00. O valor equivale ao salário de um mês inteiro de trabalho de um gari.

* * *
A ‘ajuda política’ aos garis

Julia Maria Ferreira registra:

“Jornalista da Globo: Vocês estão recebendo alguma ajuda de partido?

Gari: A discussão aqui não é partidária, é piso salarial!

Jornalista da Globo: Então, vocês não estão recebendo nenhuma ajuda política?

Gari: Estamos sim! De professores, de médicos e de todo mundo que tá aqui apoiando, trazendo água e quentinha aqui. É essa a ajuda política que estamos recebendo.”

(Com informações do Jornal do Brasil)