Funcionalismo de Volta Redonda (RJ) realiza greve histórica

Por Isabel Fraga

Hoje completa 14 dias da greve unificada do funcionalismo público municipal de Volta Redonda (RJ). O movimento de paralisação iniciou-se com os trabalhadores da educação, no dia seguinte o funcionalismo também aderiu ao chamado e em seguida os trabalhadores da Fevre – fundação pública que presta serviço à prefeitura.

A paralisação se unificou e foi tomando corpo. Um comando democrático foi criado, composto por sindicatos, centrais sindicais de luta e trabalhadores da base.

Passeatas alegres e irreverentes têm ocorrido nas ruas da cidade, algumas enfrentando o forte calor de verão e chuvas torrenciais, mas nada desanima o ânimo dos (as) grevistas que agitam palavras de ordem por onde passam. As assembleias unificadas são de caráter permanente em frente à prefeitura. Há tempos não se via mobilização igual na cidade do aço. Grande parte da população tem dado apoio direto ao movimento jogando papel picado das janelas dos prédios ou buzinando de seus carros. Para desespero do prefeito, a luta política ganhou uma proporção muito superior a uma simples greve por reivindicação salarial.

A Frente Popular formada pelo PMDB, PT E PCdoB, no poder a 18 anos, parecia intocável, até iniciar o ano de 2013.

O funcionalismo público vem sendo massacrado em todos esses anos com arrocho salarial gritante, somando perdas acima de 200%. No ano passado, o então candidato a reeleição Antonio Francisco Neto (PMBD), com receio de perder a eleição, pressionado pelos sindicatos e categorias mobilizados e por uma determinação judicial, prometeu implantar o Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) até 31 de janeiro de 2013, fato não ocorrido.

Esse foi o estopim do movimento. No dia hoje, 12 de março, a imprensa noticiou que os trabalhadores do SAMU (saúde emergencial), com salários atrasados há 5 meses, aderiram ao movimento. Parte considerável da guarda municipal também está parada, assim como o setor de obras públicas. Neste momento ocorre mobilização com retardamento de entrada em um dos principais setores do funcionalismo, o de tratamento de água e esgoto (Saae), podendo mais a frente se somar a paralisação.

Acuado, o prefeito pela primeira vez nesses anos recebeu uma comissão do movimento grevista e apresentou uma proposta. Sua intenção foi de desmobilizar e desmoralizar a greve, jogando a população contra os trabalhadores. A proposta não trouxe nada de novo em nenhum aspecto e ainda retira direitos adquiridos dos servidores, fato que causou mais indignação. Na sexta passada (08/03), seu “Plano de Remuneração” foi rejeitado pelos trabalhadores por unanimidade em assembleia unificada.

Hoje, 12 de março, haverá uma assembleia decisiva para o futuro do movimento que deve votar pela intensificação das passeatas e atos de rua. Uma vitória do funcionalismo unificado de Volta Redonda pode servir de exemplo para outras cidades do Estado.

O projeto de ataque ao funcionalismo de Volta Redonda não é isolado, faz parte de um plano de destruição dos serviços públicos ditados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, como vemos na Europa, e que no Brasil inicia pelos ataques do governo federal de Dilma Roussef (PT) e é implantado a fundo pelo governo estadual de Sérgio Cabral (PMBD). Ao movimento sindical combativo, cabe resistir e ampliar essa luta nacionalmente. Por isso pedimos seu apoio político. Vamos à vitória companheiros (as).

Fonte: CSP-CONLUTAS