Francisco: como esperar o encontro com Deus?

imagesMensagem do “Ângelus”, dia 07.08.2016

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Na página de hoje do Evangelho, Jesus fala aos Seus discípulos da atitude que se deve ter, em vista do encontro final com Ele. Explica como a espera deste encontro deve levar a uma vida rica em boas obras. Diz, entre outras coisas: “Vendam o que possuem, e o dêem de esmola. Façam para vocês bolsas que não envelheçam, um tesouro seguro no céu, aonde o ladrão não chegue nem a traça o consuma.” Convida a darmos esmola como obra de misericórdia; a não depositarmos confiança nos bens efêmeros; a fazermos uso das coisas, sem apego ou egoísmo, mas conforme a lógica de Deus: a lógica de atenção aos outros, a lógica do amor. Nós podemos ter muitas coisas. Podemos ter muito apego ao dinheiro, e ter muito dinheiro, mas, no final, não vamos poder leva-lo conosco… Lembrem-se de que o sudário não tem bolso…

Continua o ensinamento de Jesus, com três breves parábolas sobre o tema da vigilância. Este é importante: a vigilância, estarmos atentos, sermos vigilantes na vida. A primeira é a parábola daqueles servos que aguardam, de noite, a volta do patrão: “Felizes aqueles servos cujo patrão, ao voltar, ainda os encontre acordados.” É a felicidade do esperar com fé o Senhor; é a felicidade de estarmos prontos, em atitude de serviço. Ele se faz presente todos os dias, bate à porta do nosso coração. E feliz é quem Lhe abrir, pois terá uma grande recompensa: o próprio Senhor se fará servidor dos Seus servos. Que bela recompensa: no grande banquete do Seu Reino, Ele mesmo passará a servi-los. Com esta parábola, em contexto noturno, Jesus prospecta a vida como uma vigília de operosa espera, que precede ao dia luminoso da eternidade. Para podermos nela entrar, devemos estar prontos despertos e empenhados no serviço aos outros, na consoladora perspectiva de que, então, não mais seremos nós a servirmos a Deus, mas será Ele mesmo a nos acolher à Sua mesa. Pensando bem, isto já acontece, cada vez que encontramos o Senhor na oração, ou quando servimos os pobres, e sobretudo na Eucaristia, onde Ele nos prepara um banquete, para nos alimentar com Sua Palavra e com o Seu Corpo.

A segunda parábola traz como imagem a súbita vinda de um ladrão. Este fato exige vigilância. Com efeito, Jesus adverte: “Fiquem atentos, porque na hora em que vocês não imaginam, virá o Filho do Homem.” O discípulo é aquele que espera o Senhor e o Seu Reino. O Evangelho esclarece esta perspectiva com a terceira parábola – a do administrador de uma casa, após a partida do patrão. Na primeira cena, o administrador executa fielmente suas tarefas, e recebe a recompensa. Na segunda cena, o administrador abusa de sua autoridade e espanca os servos, razão por que, com a volta de repente do senhor, será punido. Esta cena é frequente inclusive em nossos dias: muitas injustiças, violências e maldades cotidianas nascem da idéia de nos comportarmos como senhores da vida dos outros. Temos um só Senhor, a quem não agrada ser chamado de “patrão”, mas de Pai! Nós todos somos servos, pecadores e filhos. Ele é o único Pai.

Jesus hoje nos lembra que a espera da felicidade eterna não nos dispensa do empenho de tornarmos o mundo mais justo e mais habitável. Ao contrário: é justamente esta esperança de possuirmos o Reino na eternidade é que nos impulsiona a buscar melhorar as condições da vida terrena, em especial a dos irmãos mais vulneráveis.

Que a Virgem Maria nos ajude a não sermos pessoas e comunidades reféns do presente nem, pior ainda, melancólicas do passado, mas inclinadas em direção ao futuro de Deus, para o encontro com Ele, nossa vida e nossa esperança.

https://www.youtube.com/watch?v=sGdUMilvqIg
(Do minuto 02:44 ao minuto 10:10)
Trad.: AJFC