Felicidade

A felicidade não é uma estação de chegada, é uma maneira de viajar, li alguma vez

Será que eu me permito ser feliz?

Eu creio que posso ser feliz sendo como sou?

Tenho direito à felicidade?

Uma das vantagens de ter muito tempo livre é que podemos refletir sobre o viver, e não apenas viver.

Quando eu penso na felicidade como algo que eu quero, sinto paz no meu coração.

Lembro dos meus tempos de criança. Jogar de carrinho. Ler gibis. A vida transcorria numa cor amarela como ouro.

De longe notícias de guerra. Depois a guerra foi contra nós. A guerra é sempre contra nós. Nesse meio tempo me foi dado aprender que dentro de mim e no meu entorno imediato podia haver paz. Podia haver amor. Podia haver felicidade.

Hoje me volto para esse começo.

Penso na felicidade como algo concreto, algo ao meu alcance. Eu não necessito ser perfeito. Há incertezas, dores, saudades, medos que trazem ecos de passados que não passam. Mas do jeito que sou e na situação em que me encontro, a felicidade volta a aparecer no horizonte.

De longe novamente chegam notícias de destruição. Extinção da aposentadoria, de fato. Restabelecimento da escravatura. Desqualificação da cultura. Apologia da morte e da tortura. A arte me faz um sinal. Presto atenção. Olho para dentro de mim e ao meu redor.

Escuro fora, luz dentro. A paz é interior. Quando eu desmancho a engrenagem da violência interna, o mundo ao redor volta a refulgir. Não necessito de tanto aplauso nem de tanto sucesso. Tenho o reconhecimento das pessoas com quem convivo, e isto é bastante.