EUA mentem para obter a extradição de Polanski

Roman Polanski é um extraordinário cineasta e um homem marcado por tragédias pessoais.

A Justiça estadunidense lhe move desde 1977 uma perseguição que, independentemente dos PRETEXTOS alegados, TEM COMO VERDADEIRO E ÚNICO MOTIVO A BUSCA DE HOLOFOTES por parte de burocratas medíocres, que jamais mereceriam uma mísera linha nos jornais se não pegassem carona na notoriedade de um artista maior.

Qualquer outro caso com as mesmas características, que não envolvesse um gigante como Polanski, estaria esquecido no mais morto dos arquivos mortos.

Então, sabendo quem é Polanski e tendo amiúde travado contato com nulidades semelhantes às que o martirizam na minha carreira jornalística, dou total crédito ao que ele acaba de afirmar, num justificado desabafo:

“Os Estados Unidos continuam pedindo minha extradição mais para servir minha cabeça numa bandeja para a mídia do mundo todo do que para realizar um julgamento acerca do qual já foi feito um acordo há 33 anos”.

Segundo ele, o pedido de extradição enviado às autoridades suíças “é baseado em mentira”.

Não duvido, pois foi com mentiras que os EUA condenaram a muitos, inclusive Sacco e Vanzetti, cuja inocência acabaria sendo oficialmente reconhecida 50 anos após sua execução.

O advogado de Polanski acaba, por sinal, de apresentar formalmente o pedido de que sejam exigidas da Justiça estadunidense as transcrições de depoimentos de um ex-promotor do caso, as quais, diz ele, “provarão de forma conclusiva que o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos ao governo suíço se baseia em declarações falsas e materialmente incompletas”.


“SUADOURO” À MODA DOS EUA

Polanski foi acusado de, numa festa de notáveis de Hollywood, haver mantido relações sexuais com uma modelo de 13 anos.

O termo estupro está sendo até hoje utilizado incorretamente pela imprensa brasileira, já que, em nosso País, subentende coação. Os estadunidenses, com seu moralismo de jecas, o aplicam até a sexo consentido, desde que praticado por adulto com menor.

Polanski admitiu ter transado com a modelo, mas afirmou que a relação foi consentida e que ela não era virgem.

Desde meu primeiro artigo, concedi o benefício da dúvida a Polanski, por vários motivos, além da atuação pra lá de suspeita dos funcionários estadunidenses que, ao fazerem essa tempestade em copo d’água, conquistaram minutinhos de fama dos quais jamais desfrutariam por mérito real:

  • pais zelosos não deixariam sua filha participar de uma festinha desse tipo, então o caso pareceu-me uma variante da arapuca que uma vigarista armou para extorquir dinheiro do boxeador Mike Tyson (sendo ridiculamente apoiada pela Justiça dos EUA…);
  • Polanski estava na mira dos segmentos mais conservadores e fanatizados da sociedade estadunidense desde 1968, quando dirigiu O Bebê de Rosemary, então a parcialidade na condução do seu caso é hipótese mais do que provável;
  • a suposta vítima acabou retirando, quando adulta, a queixa que seus país apresentaram contra Polanski; e
  • sempre considerei a prescrição de crimes um componente fundamental da civilização, então avalio como uma desumanidade os dois meses de detenção e a atual prisão domiciliar de Polanski, aos 76 anos de idade, quando sua periculosidade para a sociedade é nenhuma e sua contribuição, das mais relevantes.

O caso está para ser decidido, “sem pressa”, pelo ministro da Justiça suíço.