Em meio a balas de borracha, mas dentro da lei e da ordem

“Mas se deixermos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder”, diz Dilma em seu “discurso” à “Nação” (da classe média) [http://youtu.be/XEj3UH69g5k].

Perder o que, penso eu? A visão, por uma bala de borracha? A vida, por conta do gás lacrimogêneo (que já matou um e deixou milhares feridos)? A dignidade, por conta das humilhações que milhares de nós sofremos com o cerco policial? A cidadania, por conta da proibição explícita do direito à livre manifestação?

“Tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensável para a democracia”, diz Dilma.

Qual democracia? A que toma como referência a autoridade e se cala diante dos ataques indiscriminados à população? Hum… a presidenta que foi perseguida pela ditadura é a mesma que se cala diante das violações sistemáticas dos direitos humanos em meio à violência policial [http://bit.ly/12ZtJhy].

Desculpe, mas é patético. “Minoria violenta e autoritária”, “arruaceiros” e “caos” é só por parte dos manifestantes? É a governabilidade e “PMDBidade” agindo e silenciando nossas lutas por direitos humanos, em nome das alianças estaduais.

Acorda, minha gente:

01. A tal “elaboração do plano nacional de mobilidade urbana” já… é… já foi sancionado em janeiro de 2012! http://bit.ly/10FN0mD — mas vai ser elaborado ainda… Será feito quando for feito, não é mesmo? E o que foi feito de objetivo? Nada — só mais promessas.

02. Praticamente todas as categorias da saúde já declararam para quem quisesse ouvir que o foco da mobilização de médicos não é a vinda de médicos estrangeiros, e sim a efetiva valorização dos profissionais de saúde que temos.

03. E, agora, a presidenta “anuncia” que vai receber lideranças dos movimentos sociais — o que, em uma suposta democracia, é uma obrigação, não? Desde o primeiro dia do mandato, não? Ou eram vândalos também?

Uma reunião, por exemplo, igual àquela em que o empresariado se sentou à sua volta e decidiu os rumos dos “investimentos” nacionais — como as privatizações, por exemplo, outra medida ruim dos governos estaduais do RJ e de SP na área de saúde, segundo essa sociedade civil que o Palácio do Planalto diz querer ouvir, agora.

04. Em relação à Copa, o “financiamento” vai ser “devolvido” — como já se comprovou que não vai acontecer no caso do estádio de Brasília, segundo os estudos independentes, não é mesmo? Ou como no caso do Maracanã, em que os incentivos são cada vez mais benéficos para as empreiteiras e para Eike Batista e, além disso, trataram de expulsar os pobres dos estádios.

De fato, admito que esse discurso deixou bem mais calmos todos aqueles que querem continuar fingindo que está tudo bem…