Defenda paz e harmonia, diz Guterres em encontro com papa Francisco

Em um cenário de turbulências e dificuldades, todas as pessoas do mundo devem se unir para defender a paz e a harmonia. A afirmação foi feita pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em encontro nesta sexta-feira (20) no Vaticano com o papa Francisco, a quem agradeceu pelo apoio à Organização.

O chefe da ONU elogiou o representante da Igreja Católica Romana por ser um “mensageiro da humanidade”, abordando em suas falas temas como a crise de refugiados, a pobreza, as desigualdades e a emergência climática.

“Essas mensagens vão ao encontro dos valores fundamentais da Carta das Nações Unidas — ou seja, reafirmar a dignidade e o valor do ser humano. Para promover o amor das pessoas e cuidar do nosso planeta. Para defender nossa humanidade e proteger nosso lar em comum. Nosso mundo precisa disso mais do que nunca”, disse o secretário-geral da ONU.

Guterres chegou a Roma vindo de Madri, que recentemente recebeu a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, conhecida como COP25, que terminou no último dia 13 sem um consenso entre os países.

O secretário-geral da ONU convocou os países a se comprometerem com a meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, mudança essencial para para que a humanidade sobreviva, de acordo com cientistas.

O papa Francisco também destacou a necessidade de ações climáticas urgentes. Falando em espanhol, ele agradeceu aqueles que lutam para criar uma sociedade mais humana e justa, e incentivou todos a ouvirem os jovens que estão lutando por um mundo melhor.

“É necessário que nos reconheçamos como membros de uma só humanidade, cuidando das nossas terras, geração após geração, que nos foi confiada por Deus sob custódia, para que possamos cultivá-la e deixá-la de herança para nossos filhos. O compromisso de reduzir emissões poluentes e promover uma ecologia abrangente é urgente e necessário: precisamos fazer algo antes que seja tarde demais”, disse o Pontífice.

O Papa também alertou sobre a indiferença sobre o sofrimento de outros. “Não podemos — não devemos — desviar o olhar de injustiças, desigualdades, o escândalo da fome no mundo, da pobreza, das crianças que morrem porque não têm água, comida e cuidados necessários. Não podemos desviar o olhar de qualquer tipo de abuso contra os pequenos. Precisamos combater essa praga juntos”, completou.

Paz necessária em tempos turbulentos

O encontro entre os dois líderes aconteceu pouco antes do Natal, descrito pelo secretário-geral da ONU como um momento de paz e bondade.

Apesar disso, ele expressou tristeza pelo fato de que algumas comunidades cristãs são impossibilitadas de comemorar esse feriado em paz. Ao mesmo tempo, comunidades judaicas e muçulmanas também estão sendo perseguidas, enquanto membros das três religiões estão sendo mortos em razão da sua fé, inclusive em casas de culto.

Guterres ressaltou que mais deve ser ser feito para promover um entendimento mútuo e o combate ao ódio crescente. “Nesses tempos turbulentos e difíceis, precisamos nos unir pela paz e harmonia”, disse.

O Papa Francisco pediu a pessoas de todos os lugares que tivessem maior fé na comunidade internacional. “Confiança no diálogo entre pessoas e nações, no multilateralismo, no papel de organizações internacionais, na diplomacia como um instrumento de compreensão e entendimento, são indispensáveis para se construir um mundo em paz”, disse.

Vaticano deve intensificar medidas para acabar com o abuso infantil, diz especialista da ONU

A decisão do papa Francisco de abolir a política de sigilo da Igreja Católica Romana em casos de abuso sexual infantil é um passo bem-vindo — agora o Vaticano deve agir para garantir justiça e reparação para todas as vítimas, disse um relator especial da ONU.

“O véu de sigilo que cercava esses crimes abomináveis ​​e que impedia as vítimas de obter justiça e reparação foi levantado”, disse Maud de Boer-Buquicchio, relator especial sobre a venda e exploração sexual de crianças.

“Esse bem-vindo gesto do Papa, que reconhece a escala da crise, significa que as vítimas não terão mais que viver no desespero de que esses crimes passem despercebidos e impunes. Agora que a transparência dentro das hierarquias da Igreja foi alcançada, está aberto o caminho para a responsabilização civil e criminal secular por esses abusos.”

“No entanto, é apenas um primeiro passo. O Vaticano deve agora tomar todas as medidas necessárias para garantir que a justiça e a reparação das vítimas em todo o mundo sejam realizadas por meio de investigações rápidas e completas que estão sujeitas a escrutínio público, a acusação de supostos autores e a imposição de relatórios obrigatórios para todos os clérigos e funcionários que conhecimento desses atos hediondos.”

Fonte: Nações Unidas – Brasil

(20-12-2019)