CPT apoia as Ocupações de Timóteo, MG, e repudia despejos anunciados

Nota pública.

Muitas pessoas das Ocupações de Timóteo, MG, me telefonaram nos últimos dias implorando apoio, pois estão entrando em desespero na iminência de despejos anunciados. “Estamos em desespero. Pelo amor de Deus nos ajudem. As crianças, os idosos e nós não estamos mais dormindo sob o pavor dos despejos que anunciaram. É muita injustiça nos despejar…”, clamaram comigo. Só não se comove com o sofrimento dos oprimidos quem tem coração de pedra.

Ao lado das Brigadas Populares, a CPT apoia e acompanha a luta das Ocupações de Timóteo, MG. Não aceitamos despejos sem alternativa digna PRÉVIA. Eu, frei Gilvander Moreira, e a CPT em MG apoiamos a luta justa, legítima e necessária das centenas de famílias das Ocupações de Timóteo, MG. Eu estive em Timóteo algumas vezes para apoiar a luta das Ocupações do Recanto Verde, do Macuco e do Limoeiro. Gravei, inclusive, sete vídeos e coloquei no youtube e nas redes sociais (Procure no www.youtube.com “Ocupações de Timóteo”) para reforçar a luta das Ocupações de Timóteo. É injusto e inadmissível despejar as centenas de famílias das Ocupações de Timóteo sem alternativa digna PRÉVIA. A melhor alternativa e digna para as ocupações é a regularização urbanística e projeto socioambiental de convivência com o rio, que já foi proposta pelas Brigadas Populares e pelo povo das Ocupações, e para isso estamos lutando. É injustiça que clama aos céus demolir 300 casas construídas com muito suor e na raça – as famílias devem a metade do que investiram para construir as 300 casas – e jogar as famílias na rua ou sob a pesadíssima cruz do aluguel ou empurrá-las para cima das costas de parentes para sobreviverem de favor

Inadmissível também um prefeito do PT, Keisson, que foi eleito graças aos votos das famílias das ocupações, ter exigido judicialmente a reintegração de posse. Keisson, do PT, agora pode e deve SUSPENDER os despejos e retomar o processo de negociação séria e idônea. As Brigadas Populares e o povo das ocupações sempre estiveram abertos a negociação, mas negociação séria, justa e ética. As Brigadas e o povo têm propostas justas de negociação.
Inadmissível também o TJMG mandar despejar sem alternativa digna prévia. Por que o TJMG não segue a decisão/orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de Brasília, que suspendeu os despejos das Ocupações da Izidora, em Belo Horizonte, MG, e disseram claro que não pode haver despejo sem respeitar a dignidade humana e os direitos fundamentais da pessoa?

Inadmissível também o Governo de Minas Gerais, do PT, colocar a força policial para aterrorizar o povo e fazer despejos forçados. Não foi para isso que milhares de famílias das ocupações do campo e urbanas votaram em Pimentel, em Dilma, no PT. Exigimos também que o Governo de MG dedique às ocupações urbanas tratamento semelhante ao que está dispensando ao MST.

O governador de MG, Fernando Pimentel, dia 15/01/2015 recebeu a coordenação do MST. Já desapropriou 3 fazendas para o MST, decisão justa. Helvécio Magalhães e Odair Cunha, secretários do governador Pimentel, têm participado ativamente do encaminhamento dos pleitos das ocupações do MST. O ex-governador Anastasia, do PSDB, recebeu as lideranças das ocupações durante 2,5 horas e se comprometeu em encontrar uma solução justa e equilibrada para as ocupações da Izidora e, assim, não despejou as ocupações da Izidora. Mas Pimentel, já no 10º mês de governo, ainda não recebeu ninguém das ocupações urbanas. Por quê? Pimentel e autoridades do Governo de MG, não se esqueçam que nos últimos anos mais de 50 mil famílias foram para ocupações urbanas em MG: 30 mil famílias em BH e RMBH, 10 mil em Uberlândia e 10 mil em várias outras cidades de MG. Só em Unaí há mais de 4 mil famílias sem-casa cadastradas no Movimento dos Sem Casa de Unaí.

O peso da cruz do aluguel, fruto da especulação imobiliária, ou da humilhação que é sobreviver de favor está insuportável. Com o papa Francisco afirmamos: “Toda família tem direito a moradia digna. Todo trabalhador tem direito a emprego e direitos. E todo sem-terra tem direito a terra.”

Continuar tratando as ocupações como caso de polícia, com repressão, é injustiça e burrice, pois só piora muito o já gravíssimo problema social. É injustiça grave despejar as ocupações urbanas propondo apenas auxílio-moradia e vagas promessas de reassentamento futuramente. Isso é migalha, é empurrar o gravíssimo problema social pra frente e agravá-lo.

Conclamamos as autoridades do PT (prefeito de Timóteo, Keisson, do PT e Governo de MG), do TJMG e das forças policiais a se abrirem para negociação séria e idônea. Alertamos que insistir em fazer despejos forçados pode causar massacre.

Frei Gilvander Moreira, Frei e Padre Carmelita, mestre em Exegese Bíblica/Ciências Bíblicas, professor de Teologia Bíblica, assessor da CPT, CEBI, CEBs, SAB e Via Campesina; e-mail: [email protected] – www.gilvander.org.br – facebook: gilvander.moreira – www.twitter.com/gilvanderluis

Seções: Cidadania, Questão agrária.