Conversa, sábado, 24 de outubro 2015

Hoje comecei o dia orando com minha irmã Penha. Ela gosta de fazer a oração da manhã, todos os dias.

Quando estou aqui, oramos juntos e quando não estou, ela o faz sozinho. Usamos como referência o Ofício Divino das Comunidades e a partir daí oramos de uma forma mais livre. Hoje, tomamos o roteiro do ofício de ação de graças por ser o aniversário de minha ordenação presbiteral.

Acordei me lembrando do 24 de outubro de 1969, quando tive a graça de ser ordenado padre por Dom Helder Camara. Desde então, embora sempre fui padre como monge (isso é, com funções que não são de padres diocesanos como paróquia, etc), sempre me senti bem e gostei de ser padre. Acho que nunca vivi uma crise quanto a isso. Mas, tenho sim dificuldade de me situar no estilo e na teologia do padre ainda em vigor na nossa Igreja. Há pessoas que estranham quando não me apresento como “padre Marcelo”, quando prefiro que me chamem de irmão e faço questão de ser tratado por você e não como senhor. Nessa semana, cheguei para o retiro com as irmãs e elas tinham chamado um padre para celebrar porque pensavam que eu não era ordenado. Sonho com uma Igreja na qual o padre volte a ser o presbítero (ancião ou conselheiro) das comunidades, um ministério ao lado de outros e para construir juntos a Igreja de Deus.

Na missa da ordenação em 1969 foi lido o evangelho de Zaqueu (Lucas 19, 1 – 10). Dom Helder proclamava do jeito dele e aplicando a nós: “Hoje entrou a salvação nessa casa, porque esse também é um filho de Abraão (um filho da promessa), porque o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”.

evivo essa alegria da salvação e procuro me colocar de novo como instrumento dessa promessa de Deus para todos os irmãos e irmãs que encontro. Que Deus me ilumine e ajude a que eu possa testemunhar isso para cada um/uma: Hoje a salvação entrou nessa casa, na tua casa….