As linguagens na Terapia Comunitária

Uma das coisas que mais me chama a atenção, é a questão das linguagens na Terapia Comunitária. Por onde você olhar, há um trabalho constante de ir polindo as palavras, as formas de comunicação, os toques, os cheiros, os sons, os aromas, as rodas. É como se tudo estivesse num constante movimento de ir se ajustando, de ir quebrando rigidezes, de ir abrindo espaço para o novo dentro do novo, para mais liberdade dentro da liberdade, para maior criatividade ainda no movimento da criatividade permanente. De início devo dizer, tanto para mim mesmo como para quem estiver lendo estas linhas, que aqui me proponho a fazer uma curta viagem, não sei se pretensiosa ou despretensiosa, mas uma viagem, uma caminhada por lugares que vão do nascimento à morte, do ir ao ficar, do estar para o se ausentar e o se tornar presente novamente.

Creio que a vida é, de alguma maneira, uma constante mudança, um estar indo para, um estar a caminho. Estas palavras nos levam já a citar alguns nomes: Emmanuel Mounier, Martin Buber. Há muitos mais, sempre há muito mais em tudo, mas eles irão vindo aos poucos, outros hão de ficar de tocaia, e mais alguns, talvez os mais, irão ressoar em ti como um som amplo que se expande e que vem de todas as partes ao mesmo tempo, reverberando como um eco infinito.

Quando digo que me interessa a questão da linguagem na Terapia Comunitária, ou das linguagens em movimento no seio da Terapia Comunitária, estou querendo me referir ao fato de haver, neste universo lingüístico e relacional, uma constante mutação, um constante ir aprimorando a palavra e o gesto até chegar a uma precisão que, se for preciso, precisará ainda mais ser precisada para dizer exatamente o que quer dizer.

O jogo começa com uma roda. Uma roda que te acolhe, aonde és bem-vindo ou bem-vinda. Nunca mais serás o mesmo ou a mesma depois dessa primeira roda, depois de muitas outras rodas em que irás tendo que te abraçar a ti mesmo e a ti mesma, em tantos abraços com tanta gente que nem conhecias e que de repente, vão te trazendo de volta, como a um útero materno. Esta roda é uma das primeiras linguagens que conhecemos quando crianças. Os jogos. Estes jogos que fazem parte da imersão na Terapia Comunitária, são como portas para você mesmo, aperturas para um ser interior que vás começando a vislumbrar e que vai se expandindo para além das culpas e dos pré-conceitos, das idéias feitas que tinhas sobre ti mesmo, sobre os demais, sobre o que tinhas sido e o que poderia ser a tua vida.

(Rascunhos necessáriamente incompletos, a caminho)