A vida é amiga da arte

A vida é amiga da arte, é a parte que o sol me ensinou,” diz a canção.

Há momentos em que é necessário refluir para a esfera do belo, da arte. O lugar em que a vida faz sentido.

Não se trata de algo acrescido que poderia ser dispensado. É algo sem o qual a vida se desvanece.

Que seria de nós sem a música, sem o canto dos pássaros, sem o amor, sem os jogos das crianças, sem brincar, sem abraçar?

Que seria de nós sem a liberdade, sem a criatividade, sem a fantasia e sem a imaginação? Simplesmente não seriamos.

Em tempos em que as condições de vida parecem mais difíceis e sem esperança, é imperioso o recurso à criatividade.

As classes populares o sabem muito bem. O bom humor, a piada, os cantos, a fé, tudo soma no esforço para juntar forças para a labuta.

A luta não se restringe aos espaços hoje minados pela criminalidade política institucionalizada, mas compreende essencialmente a esfera da vida de cada pessoa.

A pressão deformadora e manipuladora exercida pela mídia e pelas chamadas redes sociais é tremenda.

A banalização da vida, o esvaziamento dos encontros, a desvalorização da palavra, são outros tantos desafios que a humanização enfrenta.

Não tenho receitas para dar. Acredito isso sim, na capacidade pessoal e coletiva de sermos capazes de nos refazer diante de cada desafio.

Minha tentativa nestas breves linhas é a de reacender a muitas mãos essa chama que sustenta a vida.