A opção da falta de opções

A opção da falta de opções. Tenho assim batizado o aparelho propagador de imagens e sons que lá embaixo, na sala da televisão, e atendendo a esse mesmo nome, insiste em ser a opção na hora da falta de opções.

Se mais jovem fosse, muito, mas muito mais jovem mesmo, iria à rua brincar com os amigos de figurinha, de amarelinha, ou iria andar de bicicleta ou à praça do bairro. Mas já não sou tão jovem, e as tais opções da mocidade não mais me são oferecidas.

De modos que, querendo ou não querendo, numa hora como estas, num domingo como hoje, aparentemente não teria outra possibilidade de matar o tempo que a de sentar na frente da televisão.

Para ver algumas jovens cantando, ou outros jovens pregando, ou então notícias do mundo ou da cidade, ou vistas de outras cidades ou povos, montanhas, lagos, animais, etcetera e tal. Nada demais, como programa de domingo.

Os tais programas de domingo propriamente ditos, pouco me interessam. Visto um todos vistos. E quem já tem, como eu, e talvez alguns dos que isto lerem, muitos anos, já viu todos.

As películas raramente merecem alguma atenção. Imagens correndo mais do que os carros na rua, em ritmo de telegrama, sem tempo para que você as veja.

Enredos enredados demais para um homem simples como eu, que prefere ouvir as vozes que falam quando o mundo cala. Entrevistas memoráveis, de escritores ou escritoras descrevendo seu ofício, salvam a pátria. A opção da falta de opção é, de fato, uma falta de opção, a televisão.

BRAVO!!!

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