A Idéia

A coisa está meio parada. Muita agitação, mas com uma sutil interrogação no ar. Ninguém sabe o que é, mas todo mundo sente. Até que… Alguém tem “a Idéia”.

A Idéia não precisa ser concreta. Pode ser uma frase. Uma expressão. Pode ser qualquer coisa. Nunca se sabe de que forma virá “a Idéia”. A Idéia não tem autor.

Quer dizer, até tem alguém que teve a coragem de ter a Idéia. Ou alguém mais atento, que esteja sempre preparado para notar detalhes. Mas a Idéia é, acima de tudo, democrática.

Por outro lado, não precisa vir de um filósofo. A Idéia não escolhe classe, cor, credo nem nacionalidade para aparecer. A questão não é essa. A questão é: seria a Idéia independente?

Quer dizer, por que será que ela escolheu aquele retirante pernambucano e não um camponês sueco? Não é estranho? Poderia ser qualquer um, em qualquer lugar. A Idéia, como se sabe, tem essa característica global e, em geral, fútil.

Quando o engenheiro norte-americano Jon Blake Cusack decidiu batizar seu primogênito de Jon Blake Cusack 2.0, ele não teve uma idéia qualquer. Ele teve a Idéia. Sem entrar no julgamento da pertinência da substituição dos tradicionais “Jr.” e “II” por um tratamento dado a softwares, Cusack apenas incorporou a Idéia que, mais dia menos dia, alguém teria.

É como fazer uma pergunta em sala de aula: depois do primeiro, vem um monte atrás.

— José Natalino 2.0. E então, o que acha? — diz ele. Ela ri, vê que é sério e desmaia. O divórcio sai em abril.

Esta é uma importante característica de uma Idéia: ela nem sempre é boa. Deu nisso: foi querer reinventar a roda, ficou quadrado.