Francisco: os dons de Deus

imagesHomilia do Papa Francisco, na missa celebrada por ocasião do Jubileu Mariano, no dia 09.10.2016

O Evangelho deste domingo nos convida a reconhecer, com gratidão, os dons de Deus. No caminho que O leva à morte e à ressurreição, Jesus encontra dez leprosos, que vão ao encontro d’Ele, parando a distância e gritando a própria desventura em direção àquele homem em quem sua fé intuiu uma possibilidade de salvação: “ Jesus, mestre, tem piedade de nós!”. Estão doentes, e procuram alguém que os cure. Jesus, em resposta, lhes diz para irem apresentar-se aos sacerdotes, que, de acordo com a lei, tinham o encargo de constatar uma cura eventual.

Deste modo, Ele não se limita a fazer uma promessa, mas põe à prova a fé deles. Nesse momento, de fato, os dez ainda não tinham sido curados. Conseguiram reaver a saúde, enquanto ainda estavam a caminho, após haverem obedecido à palavra de Jesus. Então, inteiramente cheios de alegria, apresentam-se aos sacerdotes, e depois seguem adiante pela estrada, esquecendo-se, porém, o doador, isto é, o Pai que os curou por meio de Jesus, Seu Filho feito homem.

Apenas um foi exceção: um samaritano, um estrangeiro que vive à margem do povo eleito, quase um pagão! Este homem não se contenta com ter sido curado em sua pele, mas faz com que esta cura se torne plena ao decidir retornar para expressar a sua gratidão pelo dom recebido, reconhecendo em Jesus o verdadeiro sacerdote que, depois de tê-lo levantado e curado, pode colocá-lo no caminho e acolhê-lo entre seus discípulos. Saber agradecer, saber louvar tudo quanto o Senhor faz por nós, como é importante! E então podemos nos perguntar: Somos capazes de dar graças? Quantas vezes nós dizemos obrigado em família, na comunidade, na Igreja?

Quantas vezes dizemos obrigado a que nos ajuda, a que está próximo de nós, a quem nos acompanha ao longo da vida? Muitas vezes, tudo isto passa ao largo! E isto acontece também em relação à Deus. É fácil irmos ao Senhor para pedirmos alguma coisa, mas voltar para agradecer-Lhe… Por isto, Jesus enfatiza com força a falta dos nove leprosos ingratos: “ Não foram dez os curados? E os outros nove onde estão? Fora este estrangeiro, nenhum voltou para agradecer a Deus?

Neste dia do Jubileu, nos é proposto um modelo a ser contemplado: Maria, nossa Mãe. Ela, após ter recebido o anúncio do Anjo, deixou jorrar do seu coração um cântico de louvor e de ação de graças a Deus: “ A minha alma engrandece o Senhor…”. Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a compreender que tudo é dom de Deus, e a sabermos agradecer: Então, eu lhes asseguro, nossa alegria será completa. Só aquele que sabe agradecer, experimenta a plenitude da alegria.

Para saber agradecer, é preciso também humildade. Na primeira leitura, escutamos a experiência singular de Naaman, comandante do exército do Rei Arão. Acometido de lepra, ele aceita a sugestão de uma pobre escrava que confia nas curas do profeta Eliseu, que para ele é um inimigo. Porém Naaman está disposto a humilhar-se. E Eliseu nada quer dele, apenas manda que ele se banhe na água do rio Jordão. Tal pedido deixa perplexo a Naamn, até mesmo contrariado: mas será que pode ser mesmo um Deus verdadeiro, aquele que pede coisas tão banais?

Queria voltar atrás, mas depois aceita mergulhar no rio Jordão, e de repente é curado. O coração de Maria, mais do que qualquer outro, é um coração humilde e capaz de acolher os dons de Deus. E Deus, para fazer-se homem, escolheu justamente a Maria, uma simples moça de Nazaré, que não vivia nos palácio do poder e da riqueza, que não fez nada de extraordinário. Peguntemo-nos – isto faz nos fazer bem – se estamos dispostos a recebermos os dons de Deus, ou se preferimos antes fechar-nos em nossas seguranças materiais.

É significativo que Naaman e o samaritano sejam dois estrangeiros. Quantos estrangeiros, inclusive pessoas de outras religiões, nos dão exemplo de valores que nós esquecemos ou preterimos. Quem vive perto de nós, talvez desprezado e marginalizado por ser estrangeiro, pode, ao contrário, ensinar-nos como caminhar na estrada que o Senhor quer. Também a mãe de Deus experimentou a distância de sua terra. Também, por longo tempo, ela também foi estrangeira no Egito, longe dos parentes e dos amigos. Sua fé, no entanto, soube vencer as dificuldades. Mantenhamos estreitamente esta fé simples da mãe de Deus; peçamos-lhe e que saibamos sempre retornar a Jesus e dirigir-lhe nosso agradecimento por tanto beneficio recebido de Sua misericórdia.

http://www.cercoiltuovolto.it/vaticano/papa-francesco-omelia-la-santa-messa-del-giubileo-mariano-9-ottobre-2016/

Trad.: AJFC

Digitação: Paulo Eduardo Calado.