Voltavas das Ocas do Indio

Tentavas trazer o clima vivido nesses dias. O reencontro com as companheiras e companheiros. O sarau literário e poético-musical, aquela noite de lua. As paisagens na ida e na volta. As luzes nas cidades, o zumbido do ônibus varando a noite. Essa sensação ímpar, de saber que somente ali, na teia da Terapia Comunitária, podes ser tu mesmo. Uma sensação ímpar. Só ali posso ser eu mesmo. Só ali sou eu mesmo. Só ali não tenho que vestir uma farda.

Lembravas dos pavões se pavoneando pelos jardins da pousada das Ocas do Indio, esgravatando a terra no meio do verde da grama e das flores. As companheiras e companheiros vindos de lugares tão distantes do Brasil. E tu ali, como tantas e tantos tecedores da teia. A dança do nó. Os poemas recitados. A encenação que te trouxera tantas alegrias. Voltarias a esses dias, te envolverias nessa recordação doce de pertencer a um exército de paz, a uma legião de formiguinhas, como dizia Dom Fragoso, que sem barulho nem estardalhaço, constroem um mundo melhor a cada instante, no lugar em que se encontram.

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