Você e quem você é, ou quem os outros esperam que você seja?

Você é quem você é, ou o que os outros esperam que você seja? Você é quem você é, ou o que os outros esperam que você seja? Você é quem você é, ou o que os outros esperam que você seja? A pergunta se repete três vezes, para ver se a pessoa é capaz de escutá-la. Você é quem você é, ou o que os outros esperam que você seja? Não importa tanto a resposta, e sim que você seja capaz de escutar a pergunta. Você pode escutar a pergunta, acolhe-la. Fazer um espaço, um lugar dentro de você mesmo ou você mesma. Se você for capaz de acolher esta pergunta, você poderá experimentar algo novo dentro de si. Poderá sentir algo como o seu ser autêntico.

O Dr. Adalberto Barreto diz que temos que ouvir a pergunta três vezes, para podermos de fato escutar. Tenho ouvido esta pergunta muitas vezes, ao longo de todos estes anos de Terapia Comunitária Intergativa, vivências de Cuidando do Cuidador (Resgate da Auto-estima). Tenho ouvido esta pergunta muitas vezes, mas nem sempre a tenho escutado, nem sempre a tenho acolhido. Estava mais preocupado em responder, em dizer se era eu mesmo ou o que outros tinham esperado ou esperavam de mim. Agora já não me preocupa mais tanto saber de fato se sou eu mesmo ou o que os outros esperam de mim.

O que quero partilhar aqui e agora, sobre tudo, é isto: que quando acolho a pergunta, se abre um espaço em mim. Sou mais eu, se posso escutar a pergunta. Se posso pensar nisto, estou sendo mais eu, e menos o que outros esperam de mim. Não há nada de errado em sermos em parte o que outros esperam de nós. Creio que, de fato, sempre seremos em parte algo que outras pessoas que moram conosco, ou que nos são muito queridas ou muito significativas, esperam ou esperaram de nós. Mas não podemos ser apenas o que alguém espera ou esperou de nós. Podemos acolher a pergunta. Então podemos começar a saber.

O ser humano nunca é exclusivamente o que ele quer ser. Aliás, não sei se, em definitiva, algum dia poderemos vir a saber o que somos, em verdade. Mas outra vez, repito, o que vale não é tanto a resposta, mas o espaço que se abre em nos, quando acolhemos a pergunta. Uma resposta pode ser uma justificativa, uma defesa, uma tentativa de satisfazer as expectativas próprias ou alheias. A pergunta não, a pergunta nos conecta com um silêncio, com algo maior. Daí a genialidade, a profunda fecundidade e efetivo potencial de recuperação da pessoa humana, do sistema de conhecimento criado pelo Dr. Adalberto Barreto, a Terapia Comunitária Integrativa.

Não se trata tanto de encontrar a resposta certa, respostas certas, mas, sim, de conectar com a realidade, de contatar o que está aqui, isto que cada um de nos é. Por isso, penso que se trata de um método efetivo pelo qual podemos vir a saber quem somos, ou, ao menos, deixar de crer que somos o que não somos. Isto não é somente um jogo de palavras, embora seja muito bom jogar com as palavras. De tanto jogarmos com elas, elas começam a jogar conosco, e começamos e ver alguma coisa, começamos a poder ver um vislumbre da realidade.

Eu sou sociólogo, como meu pai queria que fosse, e não artista, pintor, como eu queria ser. Mas não sou o sociólogo que meu pai queria que eu fosse, e sim o sociólogo que eu queria ser, embora não soubesse ao certo o que era isto. Estou sabendo agora, no decorrer desta aventura do conhecimento que é a Terapia Comunitária Integrativa, onde o que importa não é consolidar alguma interpretação sobre a pessoa, e sim a sua libertação, o seu respirar, a sua emancipação.

Era isto o que eu queria quando me embrenhei, com meus colegas estudantes de sociologia da Universidad Nacional de Cuyo, de Mendoza, Argentina, na construção de uma carreira de sociologia a serviço da libertação, nos anos 1970, embora naquela época para nós, e em especial para mim mesmo, isto não estivesse claro como o está começando a ser agora. O que estou tentando dizer, ao explorar esta pergunta sobre o ser autêntico, que o Dr. Adalberto Barreto nos faz, é o seu potencial efetivamente eficaz, se me permitem esta expressão, é o quanto podemos abrir um espaço para nós mesmos ou nos mesmas, quando acolhemos a pergunta. Quando podemos escutar, de nos mesmos: Você é quem você é, ou o que os outros esperam que você seja?

E posso começar a ser mais eu mesmo, eu mesma, se puder escutar esta pergunta, se puder me perguntar pelo meu próprio ser. Esta pergunta, de longa tradição filosófica e religiosa, nos leva a um ponto de convergência do saber prático, popular, e cientifico-religioso.

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