Vexame na Parada do Orgulho GLBT de Niterói

É lamentável e até mesmo vergonhoso para a militância GLBT que o momento para se demonstrar força e unidade com o intuito de se cobrar respeito e cumprimento das leis contra a homofobia seja desperdiçado com picuinhas políticas de seus próprios pares. Por Diego Cotta. Fotos: Fabíola Gerbase.

Todos sabem, ou melhor, ficou evidente após a III Parada do Orgulho GLBT de Niterói, que o Grupo Diversidade de Niterói (GDN) e o Grupo 7 Cores não se dão muito bem. No entanto, é lamentável e até mesmo vergonhoso para a militância GLBT que o momento para se demonstrar força e unidade com o intuito de se cobrar respeito e cumprimento das leis contra a homofobia seja desperdiçado com picuinhas políticas de seus próprios pares.

O público, que esperava ansiosamente pela saída da Parada, que por sua vez teve um atraso absurdo e não justificado, assistia com cara de penico toda aquela confusão e desorganização proveniente da divergência dos dois grupos. Palavras de ordem eram entoadas para que se abaixasse o som enquanto alguma autoridade discursava: a própria Deputada Federal e Coordenadora Geral da Frente Parlamentar Mista pela Cidadania GLBT do Congresso, Cida Diogo (PT/RJ), foi inúmeras vezes interrompida pelo som do carro do GDN, que colocara uma artista para cantar “ao vivo”.

Como um Movimento vai querer cobrar respeito à diversidade
se não consegue resolver suas próprias diferenças?

O problema de atraso, que nem de longe representa uma justificativa plausível, era esbravejado nos microfones do GDN: “Uma ONG, que não queremos falar o nome, impediu que o carro da boate tal saísse. Agora que conseguimos colocar o carro lá, podemos prosseguir com a parada”. O que é isso? Recordo-me daqueles comerciais da tesourinha do Mickey Mouse na mais bela reprodução do “eu tenho e você não tem”, representando o maior atestado de imaturidade política – prato cheio para aqueles que querem que o Movimento GLBT se exploda; e com as bichas junto.

Depois daquele anda-não-anda, sai-não-sai, o público já não era mais o mesmo, tanto em número (a Parada naquele momento já se esvaziara), quanto em paciência e humor. As pessoas já estavam de saco cheio de estar naquele ambiente de discórdia em pleno domingo à noite, retornando aos seus lares com a certeza de tempo perdido. Até porque como um Movimento vai querer cobrar respeito à diversidade se não consegue resolver suas próprias diferenças?

Diego Cotta é coordenador da Semana da Diversidade Sexual da UFRJ, do canal GLBT da revista eletrônica Consciência.Net e colaborador do site emdiacomacidadania.com.br. Fotos: Fabíola Gerbase.

Comentários

comentários

o texto lembra o tema abordado na penúltima Caros Amigos, que falava dos preconceitos dentro dos movimentos que, por sua vez, buscam igualdade no tratamento. Conversei, antes do evento, com um dos membros do GDN a respeito, e ele me disse, sensatamente, que o movimento apenas reproduz as diferenças de toda a sociedade. Brancos, negros, pobres, ricos, etc.
Com um pouco mais de profusão porque, claro, eles são bem mais emotivos quando unidos. Mais uma vez explicado pelo inconsciente da coletividade.

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