Vem vindo a vida

rompeÀs vezes a gente vê que o dia começa de um modo não sabemos muito bem como. Neblinoso, vamos dizer. Parece que não tem nada de bom no horizonte. Mas o dia vai indo, e a vida vem vindo.

Saio de casa e vejo o porteiro a trabalhar. Sorrindo. A rua deserta ou povoada de carros, esse rio metálico que por vezes parece uma massa de lava mansa que avança.

Tantas lembranças por toda parte. Habitante das lembranças. Às vezes sinto que as lembranças estão consolidadas ao meu redor. Boas lembranças. O passado bom, aquele que floresceu das dores que a mim e a todos nos toca viver.

Hoje de manhã fui à UFPB. Todo um mundo. Tantas recordações. A peregrinação a Santa Fe. Os tempos da ADUFPB. Uma parte minha, uma boa parte de mim está por aqui, na Paraíba. João Pessoa. Patos. Cajazeiras. Pombal. Sousa.

Como vim me nordestinizar! E pensam que lamento isto? Ao contrário, me alegra muito fazer parte desta comunidade. Aqui vim me tornar mais gente. Aqui vim saber mais quem eu sou. Não deixo de ser argentino de Mendoza, mas agora tenho duas pátrias.

Vim me montar e venho me montando. Seguirei me montando, como um quebra-cabeças infinito. Nesta ida à UFPB, o departamento de pessoal, a reitoria, o banco, a ADUFPB. Tantas histórias costuradas, descosturadas, recosturadas.

E agora que chego em casa, depois de uma caminhada que me trouxe também para o lava-jato do bairro, apresso-me a juntar no papel os gestos e sentires. Gente simpática e de bom humor. Pessoas serviçais. Quantos mundos têm aí fora!