Utopias

AGUAAgora há pouco pensava como é importante a gente seguir uma utopia, plantar utopias, perseguir algo que constantemente se nos escapa. É como se a vida humana dependesse em muito disto. De ter sonhos, muitos sonhos, quimeras, quanto mais inalcançáveis melhor, ou não. Pode haver algumas pequenininhas, do dia a dia, outras que vão para mais longe, e outras que, somadas a muitas esperanças de muita gente de todas as partes do mundo, constroem como que um sonho gigantesco. Um sonho humano de fraternidade, de amor e de justiça.

De repente a vida nos presenteia, com as suas mãos cheias, num dia como este, com a saudade muito forte de uma pessoa muito querida que partiu. Essa lembrança, esse afeto, uma miríade de pequenas recordações, compõem como que a presença total dessa pessoa tão significativa na nossa vida. E de repente te encontras como que outra vez na presença dela, desse ser tão amado que acompanhou teus passos desde antes mesmo da tua nascença. Lembras de um pôster com um poema de Gabriela Mistral, a valorizar justamente as pequenas coisas.

E o dia foi passando e a noite já está aqui, e nesta hora pões no papel o que andaste a viver nesta jornada. Jornada interna e externa. Pintar de branco uma velha tela para pintar a óleo. Uma conversa ao telefone. Um café da manhã. Um ir pelas ruas da cidade, a caminho do hospital. Um encontrar companheiras de caminhada pela tarde. Sorrisos.

Apreciar a beleza de um rosto. Um pequenininho andando com o seu caminhãozinho na mão. Semear utopias, se projetar em sonhos de muitos e sonhos de um só. Sonhos de menino que se admira de se ver no espelho e ver que ainda é o mesmo rosto, o mesmo olhar, o mesmo sorriso. Ir atrás de uma luz inalcançável. Pintarás nessa tela uns mimos do céu.