Um Papa que mexe com a gente

papaGostaria de dizer aqui algumas coisas que a atuação do Papa Francisco vem me suscitando. Em primeiro lugar, fazia muito tempo que não aparecia no cenário mundial, uma pessoa com as suas características. Alguém que nos convoca para uma revisão em profundidade, pessoal e coletivamente, das nossas formas de viver.

Isto é mexer a fundo com as pessoas e com as estruturas sociais. Não se limita a denunciar ou criticar, nem a aconselhar ou sugerir. Mexe. E este “mexe”, incomoda. Incomoda a quem está seguro, demasiado seguro, de estar fazendo o que deveria fazer. É bom que tenha alguma pessoa de bem a nos incomodar.

Uma pessoa cujas características pessoais, cuja trajetória de vida, se afasta em muito do que poderia se esperar de uma autoridade eclesial. Alguém que conviveu com os de baixo. Alguém que chama a atenção para a necessidade de que a Igreja Católica se abra, de fato, para o mundo atual.

Aceitando as pessoas divorciadas no seu seio. As mães solteiras. Os homossexuais. Os pobres voltam a ser o centro da atuação da Igreja, para que a própria Igreja se liberte com eles. E não são apenas os pobres materialmente. São as “periferias existenciais”, como diz o Papa Francisco.

Os excluídos de todas as maneiras. As pessoas que são rechaçadas, postas de lado, afastadas do convívio social, desprezadas, esquecidas, humilhadas. Lembro do que o Padre José Comblin dizia sobre a ação cristã, em um dos seus livros: É uma ação de tipo pessoal, que traz de volta a pessoa esquecida.

A pessoa esquecida sou eu mesmo, que me colei em papéis sociais aprisionadores e alienantes. Fui me distanciando de mim mesmo em função de um título, de um diploma, de um conforto material que foi me fazendo esquecer de onde eu vim, quem foram meus pais, meus avós, minhas avós, qual é a história do meu povo.

Mas não acho que o Papa Francisco esteja apenas nos lembrando de quem somos, o que em si mesmo já é muito valioso. Ele está lembrando ao mundo que existe um Sul. Existe um hemisfério Sul na Terra. Existem as nações e os povos dominados, explorados pelo capitalismo selvagem, não importa qual seja a denominação que adote este sistema sem alma, que faz das pessoas coisas, mercadorias que se compram e se vendem, se jogam fora quando não servem mais.

Lembrar das crianças e dos idosos, uma prioridade. Na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, o Papa Francisco diz, logo no início, que não quer impor novas obrigações. Despertar consciências, isto sim, é o que ele faz. Que não nos esqueçamos que somos uma humanidade, um único povo, um único tecido humano que precisa se ver como tal.

Amigo Rolando
Parabéns pele linda visão de nosso querido Papa, que nos oferece Abraços, magdala

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