Tucanos na lama. E agora?

Tesoureiro da campanha do PSDB mineiro em 1998, Claudio Mourão da Silveira confirmou que foram gastos R$ 20 milhões e declarados apenas R$ 8,5 milhões ao Tribunal Regional Eleitoral, informam os jornais desta quinta (20/10). Ele reconheceu ainda que R$ 11 milhões — mais da metade dos recursos gastos na campanha — foram repassados pelo empresário Marcos Valério. Disse ainda que Azeredo só foi informado do esquema de caixa dois após o fim da campanha.

O esquema usado por Mourão é o mesmo adotado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para fazer repasses a parlamentares da base governista. Da mesma forma que Delúbio, Mourão se associou a Valério, fez empréstimos no Banco Rural e até agora não quitou a dívida. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), soltou a pérola: “Uma coisa é o dinheiro de caixa dois, que é reprovável. Outra coisa é a rapina usada por um grupo para se perpetuar no poder”. Até hoje, Azeredo tem ‘se perpetuado’ bem no poder, diga-se, bem como a maior parte dos tucanos que se beneficiaram com o mega-esquema de corrupção do governo FHC.

Cheque de Marcos Valério pagou dívida de presidente do PSDB

O repórter Paulo Peixoto escreve na Agência Folha, no sábado (22/10): “O senador Eduardo Azeredo (MG), presidente nacional do PSDB, afirmou ontem à Folha que teve uma dívida sua com Cláudio Mourão, tesoureiro de sua campanha ao governo mineiro em 1998, paga pelo empresário Marcos Valério de Souza. O pagamento, com um cheque de R$ 700 mil, foi feito em 2002. Azeredo disse ainda que, ‘poucos dias depois’, o atual ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia (PTB), fez empréstimo no Banco Rural e quitou a dívida com Valério. Azeredo foi o avalista desse empréstimo, de ‘pouco mais de R$ 500 mil’.”

A revista “IstoÉ” deste final de semana, informa a reportagem, traz cópia do cheque de Valério que serviu para pagar Mourão. O ex-tesoureiro alegava que colocou carros da empresa de um dos seus filhos na campanha de 1998 e ficara no prejuízo, já que não houve ressarcimento. A revista também publica o recibo de Mourão dando a dívida como quitada. O documento tem a mesma data do cheque: 18 de setembro de 2002.

Mais da Agência Folha: “Azeredo disse que todo esse acerto foi em decorrência da campanha de 1998. O fato de ter sido Valério quem pagou, segundo ele, não significa que tivesse relação com o empresário. Segundo o tucano, eram Mourão e Valério que se relacionavam desde 1998. Naquele ano, Valério contraiu um empréstimo de R$ 8,35 milhões para custear a campanha de Azeredo ao governo de Minas, a pedido de Mourão. (…) Em depoimento na CPI dos Correios, Mourão afirmou que o presidente do PSDB não sabia do empréstimo. Azeredo disse não se lembrar de detalhes, mas depois afirmou que foram Valério e Mourão que acertaram primeiro o pagamento de R$ 700 mil.”

Revista diária fundada em 13 de maio de 2000.

Seções: Opinião.